Agora que o debate sobre a legalização do aborto está novamente na ordem do dia, veio-me à memória um episódio passado na Assembleia da República na década de 80.
«O acto sexual é para ter filhos» - disse o deputado do CDS-PP num debate sobre legalização do aborto.
A resposta em forma de poema, que fez rir todas as bancadas parlamentares, veio da nossa querida conterrânea Natália Correia:
«Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.»
Entretanto, passaram duas décadas, mas esta conversa bem podia ter sido ontem...