«A cannabis plantada na ilha do Pico, Açores, está entre as melhores da Europa, de acordo com a classificação de sites holandeses especialistas no tema. O clima húmido e o solo vulcânico garantem a sua boa qualidade, pelo que o número de plantações ilícitas tem vindo a crescer na região.»
in Diário de Notícias, 20 de Agosto de 2001
http://dn.sapo.pt/2007/08/20/sociedade/cannabis_ilha_pico_esta_entre_melhor.html in
terça-feira, 21 de agosto de 2007
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
A vida num segundo
Quanto vale um segundo na vida de um homem? Um milhão? Dois milhões? Poderá um segundo valer uma vida? Poderá a vida morrer num segundo?
segunda-feira, 16 de julho de 2007
«O mundo de quem tem filhos»
«Dizem que a maternidade muda as mulheres. Mas esta frase, quando dita, parece mais uma crítica do que um elogio. Costuma vir em tom mais ou menos pejorativo, geralmente referindo-se a alguém que deixou de se dedicar cem por cento ao trabalho, ou cem por cento aos amigos, ou cem por cento ao mundo lá fora.
Antes de ser mãe, ouvi esta frase muitas vezes, geralmente vinda da boca de colegas homens (e sem filhos), que me tentavam explicar porque “fulana” ou “sicrana” estava diferente. “Quando fores mãe, também te vai acontecer o mesmo”, diziam-me em tom de aviso, como que a alertar-me para não me meter nisso, porque a maternidade seria mais ou menos incompatível com tudo o resto.
Entretanto, ignorando os avisos e os conselhos aparentemente inofensivos, também eu decidi ser mãe e experimentar esse lado “radical” da vida.
Passou pouco mais de um ano desde que nasceu o meu primeiro filho, mas a minha curta experiência de maternidade é já mais do que suficiente para constatar que também eu estou diferente. Mudei sim, mas para melhor. Muito melhor!
Durante o primeiro ano de vida do meu filho, aprendi a olhar o mundo de outra forma. Descobri a beleza de um sorriso, o deslumbramento de um gesto, a graça de uma gargalhada, a emoção de cada descoberta. Mas também descobri o medo do futuro, aprendi a espreitar os perigos e a relativizar os fracassos.
Com a maternidade, aprendi sobretudo que os dias são para viver um de cada vez, numa sequência inesgotável de afectos, alegrias, expectativas e frustrações. E percebi que o mundo ganha outra dimensão quando deixamos de pensar no futuro como se ele fosse certo e imutável.
Hoje, continuo a querer fazer todas as coisas de que antes gostava. Não abandonei os meus sonhos, nem tão pouco os meus projectos. Apenas dei uma ordem diferente à minha lista de prioridades.
Agora, o meu filho é quem mais ordena lá em casa. Não porque lhe faça todas as vontades, mas porque o seu bem estar se tornou no mais importante.
Não sou uma mãe obsessiva, mas isso também não quer dizer que seja uma mãe desatenta. Sou apenas uma mãe prática, como diz a ama do meu filho. E ser prática significa ser eficaz, não perder tempo com coisas acessórias e concentrar as energias no fundamental. Ora, na maternidade o fundamental é o amor.
Pode parecer frase feita, mas a verdade é que com amor e carinho tudo se cria. O dinheiro desaparece depressa, mas também se estica miraculosamente. A roupa pode ser grande, mas depressa fica curta. O choro costuma ser forte, mas a gargalhada consegue soar mais alto. E mesmo quando a energia é pouca, a força nunca se esgota.
É um mundo em constante mudança este da maternidade. É um mundo que não nos deixa indiferentes, nem iguais. Aprendemos, mudamos, crescemos. E tudo se torna mais significativo.
Hoje, percebo melhor o sofrimento de uma mãe que perdeu um filho, emociono-me mais com a violência infantil, incomoda-me mais a ausência de uma boa política educativa, choca-me mais a falta de cuidados materno-infantis, horroriza-me mais o desprezo que os sucessivos governos votam à família.
Volta e meia, lembro-me das vezes em que me disseram que a maternidade muda as mulheres. Tons pejorativos à parte, não posso deixar de concordar. Mas não muda só as mulheres, pois também os homens não lhe ficam indiferentes. Seja porque os assusta, porque os deslumbra ou porque os faz descobrir a paternidade, com tudo o que de bom e de mau vem associado.
Definitivamente, o mundo de quem tem filhos é diferente. E só quem não os tem é que não consegue perceber isso.»
Lídia Bulcão, in Tribuna das Ilhas, 6/7/2007
Antes de ser mãe, ouvi esta frase muitas vezes, geralmente vinda da boca de colegas homens (e sem filhos), que me tentavam explicar porque “fulana” ou “sicrana” estava diferente. “Quando fores mãe, também te vai acontecer o mesmo”, diziam-me em tom de aviso, como que a alertar-me para não me meter nisso, porque a maternidade seria mais ou menos incompatível com tudo o resto.
Entretanto, ignorando os avisos e os conselhos aparentemente inofensivos, também eu decidi ser mãe e experimentar esse lado “radical” da vida.
Passou pouco mais de um ano desde que nasceu o meu primeiro filho, mas a minha curta experiência de maternidade é já mais do que suficiente para constatar que também eu estou diferente. Mudei sim, mas para melhor. Muito melhor!
Durante o primeiro ano de vida do meu filho, aprendi a olhar o mundo de outra forma. Descobri a beleza de um sorriso, o deslumbramento de um gesto, a graça de uma gargalhada, a emoção de cada descoberta. Mas também descobri o medo do futuro, aprendi a espreitar os perigos e a relativizar os fracassos.
Com a maternidade, aprendi sobretudo que os dias são para viver um de cada vez, numa sequência inesgotável de afectos, alegrias, expectativas e frustrações. E percebi que o mundo ganha outra dimensão quando deixamos de pensar no futuro como se ele fosse certo e imutável.
Hoje, continuo a querer fazer todas as coisas de que antes gostava. Não abandonei os meus sonhos, nem tão pouco os meus projectos. Apenas dei uma ordem diferente à minha lista de prioridades.
Agora, o meu filho é quem mais ordena lá em casa. Não porque lhe faça todas as vontades, mas porque o seu bem estar se tornou no mais importante.
Não sou uma mãe obsessiva, mas isso também não quer dizer que seja uma mãe desatenta. Sou apenas uma mãe prática, como diz a ama do meu filho. E ser prática significa ser eficaz, não perder tempo com coisas acessórias e concentrar as energias no fundamental. Ora, na maternidade o fundamental é o amor.
Pode parecer frase feita, mas a verdade é que com amor e carinho tudo se cria. O dinheiro desaparece depressa, mas também se estica miraculosamente. A roupa pode ser grande, mas depressa fica curta. O choro costuma ser forte, mas a gargalhada consegue soar mais alto. E mesmo quando a energia é pouca, a força nunca se esgota.
É um mundo em constante mudança este da maternidade. É um mundo que não nos deixa indiferentes, nem iguais. Aprendemos, mudamos, crescemos. E tudo se torna mais significativo.
Hoje, percebo melhor o sofrimento de uma mãe que perdeu um filho, emociono-me mais com a violência infantil, incomoda-me mais a ausência de uma boa política educativa, choca-me mais a falta de cuidados materno-infantis, horroriza-me mais o desprezo que os sucessivos governos votam à família.
Volta e meia, lembro-me das vezes em que me disseram que a maternidade muda as mulheres. Tons pejorativos à parte, não posso deixar de concordar. Mas não muda só as mulheres, pois também os homens não lhe ficam indiferentes. Seja porque os assusta, porque os deslumbra ou porque os faz descobrir a paternidade, com tudo o que de bom e de mau vem associado.
Definitivamente, o mundo de quem tem filhos é diferente. E só quem não os tem é que não consegue perceber isso.»
Lídia Bulcão, in Tribuna das Ilhas, 6/7/2007
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Um Banco para cada dois faialenses
Poucas semanas passaram sobre a inauguração do primeiro balcão do BPI na ilha do Faial e o pequeno burgo já fala na entrada de dois novos Bancos no mercado faialense. A ver pela quantidade de instituições bancárias já instalados no mercado local – Millennium BCP, Caixa Geral de Depósitos, BCA, Caixa de Crédito Agrícola, Caixa Económica Misericórdia de Angra do Heroísmo, Santander Totta e BES – parece que o dinheiro se está a multiplicar de forma astronómica na cidade-mar.
Bem sei que a Câmara do Comércio dos Açores já afirmou publicamente que a Horta é a cidade com maior índice de crescimento económico da região, porém, também sei que esse crescimento ainda está muito longe de dar lucro.
Não é que seja contra a abertura de mais dependências bancárias na ilha. Mas se não há muito dinheiro disponível no Faial, o que procuram então os novos bancos? O que está por detrás deste repentino interesse num mercado que vive essencialmente de serviços e que tem pouco mais de 15 mil habitantes?
Num mercado aberto e competitivo como o de hoje, os bancos que ali estão há décadas – como o Millennium BCP, a CGD ou o BCA – não podiam ficar sozinhos muito tempo, mesmo que os seus serviços fossem fantásticos. Mas, ainda assim, acho que não é normal esta corrida desenfreada para abrir novos balcões na Horta, que está muito longe de ser um pólo de desenvolvimento económico que alimente fortunas.
Diz a lógica do mercado que nenhum banco quer abrir um balcão para perder dinheiro, muito menos nos dias de hoje, quando se pensa no lucro antes de qualquer outra coisa. Ora, não havendo fortunas para forrar as contas que os novos bancos querem abrir, há então o quê? Não tenham ilusões, porque a resposta a esta pergunta só pode ser uma: se não há dinheiro, então é porque há falta dele. Ou melhor, é porque há muita gente disposta a pagar – e caro – para o obter.
Depois de ter sido a cidade que mais polícias tinha por metro quadrado, hoje já corre à boca pequena que a Horta é a cidade portuguesa que tem mais pedidos de crédito. Por coincidência, ou não, em breve será também a cidade que mais agências bancárias tem por habitante. Até já consigo ver os políticos locais, na próxima campanha eleitoral, prometendo fazer tudo para que a ilha tenha “um Banco para cada dois faialenses”.
Bem sei que a Câmara do Comércio dos Açores já afirmou publicamente que a Horta é a cidade com maior índice de crescimento económico da região, porém, também sei que esse crescimento ainda está muito longe de dar lucro.
Não é que seja contra a abertura de mais dependências bancárias na ilha. Mas se não há muito dinheiro disponível no Faial, o que procuram então os novos bancos? O que está por detrás deste repentino interesse num mercado que vive essencialmente de serviços e que tem pouco mais de 15 mil habitantes?
Num mercado aberto e competitivo como o de hoje, os bancos que ali estão há décadas – como o Millennium BCP, a CGD ou o BCA – não podiam ficar sozinhos muito tempo, mesmo que os seus serviços fossem fantásticos. Mas, ainda assim, acho que não é normal esta corrida desenfreada para abrir novos balcões na Horta, que está muito longe de ser um pólo de desenvolvimento económico que alimente fortunas.
Diz a lógica do mercado que nenhum banco quer abrir um balcão para perder dinheiro, muito menos nos dias de hoje, quando se pensa no lucro antes de qualquer outra coisa. Ora, não havendo fortunas para forrar as contas que os novos bancos querem abrir, há então o quê? Não tenham ilusões, porque a resposta a esta pergunta só pode ser uma: se não há dinheiro, então é porque há falta dele. Ou melhor, é porque há muita gente disposta a pagar – e caro – para o obter.
Depois de ter sido a cidade que mais polícias tinha por metro quadrado, hoje já corre à boca pequena que a Horta é a cidade portuguesa que tem mais pedidos de crédito. Por coincidência, ou não, em breve será também a cidade que mais agências bancárias tem por habitante. Até já consigo ver os políticos locais, na próxima campanha eleitoral, prometendo fazer tudo para que a ilha tenha “um Banco para cada dois faialenses”.
domingo, 24 de junho de 2007
"Um colo estrangeiro"
“Mas foi apenas há um ano e meio que Paula, 38 anos, e Stefan Brune, 39, conheceram os irmãos, de 10 e 11 anos, e lhes perguntaram se queriam viver com eles, na Alemanha. (…) Nascidos na região do Porto, foram retirados aos pais após muito tempo de negligência e maus tratos.
(…)
“mais de metade dos menores que hoje aguardam novos pais (…) «têm mais de 7 anos e problemas de saúde ou só podem ser adoptados com os seus irmãos, em grupos de duas, três ou mesmo cinco crianças», explica Graciete Palma da Silva, 62 anos, coordenadora do Gabinete Técnico de Adopção Internacional.
É por isso que o tempo médio de espera por uma criança é, actualmente, de cinco a seis anos. Quando existe outra abertura, o processo torna-se mais rápido. Foi o que sucedeu com o casal Brune: «Os serviços portugueses resolveram tudo em dois meses».
(…)
A máquina começou a desbravar terreno entre os cabelos rebeldes de Filipe. À medida que as madeixas caíam no chão, rolavam também as lágrimas pela cara da sua mãe adoptiva. O couro cabeludo do menino estava coberto de cicatrizes. «Só olhando para as maiores, contei 27…», recorda Paula.
Nos primeiros meses a adaptação foi difícil. (...)
Um ano e meio depois da mudança dos irmãos para a Alemanha, é difícil imaginar uma família mais cúmplice. Quem observe Carlos e Filipe a passear de bicicleta pelas ruas floridas da pequena cidade alemã (que não identificamos, a pedido da família), a contar as aventuras das suas férias em Praga e no Egipto e a chamar carinhosamente pela «mãeiii» ou pelo «papi», só verá alegria – é como se uma borracha tivesse apagado todas as suas negras experiências.”
Ana Navarro Pedro, Isabel Marques da Silva e Patrícia Fonseca, in Visão de 21/06/2007
Era óptimo que existissem mais pessoas como estas...
(…)
“mais de metade dos menores que hoje aguardam novos pais (…) «têm mais de 7 anos e problemas de saúde ou só podem ser adoptados com os seus irmãos, em grupos de duas, três ou mesmo cinco crianças», explica Graciete Palma da Silva, 62 anos, coordenadora do Gabinete Técnico de Adopção Internacional.
É por isso que o tempo médio de espera por uma criança é, actualmente, de cinco a seis anos. Quando existe outra abertura, o processo torna-se mais rápido. Foi o que sucedeu com o casal Brune: «Os serviços portugueses resolveram tudo em dois meses».
(…)
A máquina começou a desbravar terreno entre os cabelos rebeldes de Filipe. À medida que as madeixas caíam no chão, rolavam também as lágrimas pela cara da sua mãe adoptiva. O couro cabeludo do menino estava coberto de cicatrizes. «Só olhando para as maiores, contei 27…», recorda Paula.
Nos primeiros meses a adaptação foi difícil. (...)
Um ano e meio depois da mudança dos irmãos para a Alemanha, é difícil imaginar uma família mais cúmplice. Quem observe Carlos e Filipe a passear de bicicleta pelas ruas floridas da pequena cidade alemã (que não identificamos, a pedido da família), a contar as aventuras das suas férias em Praga e no Egipto e a chamar carinhosamente pela «mãeiii» ou pelo «papi», só verá alegria – é como se uma borracha tivesse apagado todas as suas negras experiências.”
Ana Navarro Pedro, Isabel Marques da Silva e Patrícia Fonseca, in Visão de 21/06/2007
Era óptimo que existissem mais pessoas como estas...
sábado, 23 de junho de 2007
"Vulcão Aberto"
Em ano de grande aniversário do Vulcão dos Capelinhos, está para sair um novo livro. "Vulcão Aberto", como fotos de António Silveira e texto de Maria do Céu Brito.
O lançamento do livro é já na próxima sexta-feira, dia 29, no Centro do Mar da cidade da Horta, pelas 21h30.
Quem me dera poder lá estar...
terça-feira, 19 de junho de 2007
Cahier de Bord

Por vezes, a veia é mais forte do que a vontade. A Gata Preta foi-se embora, mas a nossa Caiê está de volta, agora em Cahier de Bord. Outro mundo, outro imaginário, mas o mesmo olhar. A não perder!
quarta-feira, 6 de junho de 2007
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Não há longe sem distância
Richard Bach dizia que "não há longe nem distância". Mas a verdade é que não há longe sem distância. Afinal, a lonjura não é mais do que a consciência de que o nosso desejo não depende apenas da nossa vontade para se realizar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
