sexta-feira, 4 de maio de 2007
Volta Caiê!
Ainda não estou em mim! Fui dar uma espreita ao Mundo da Gata Preta e fiquei a olhar como parva para o letreiro com a palavra FIM. Será que vais mesmo privar-nos desse mundo felino, onde a realidade se confunde com a ficção? Espero que seja só um desabafo. Afinal, fins há muitos. E geralmente são apenas o princípio de outra coisa qualquer. Fico, portanto, à espera dessa qualquer outra coisa. Até já!
«Apagar o passado é desprezar o futuro»
«Algo vai mal na imprensa faialense. Muito mal mesmo, a ver pelos sucessivos encerramentos dos seus periódicos. Depois do centenário jornal “O Telégrafo”, foi agora a vez de “O Correio da Horta”, que imprimiu a sua última edição há pouco mais de um mês. Depois de décadas a disputarem os mesmos leitores, os dois históricos diários faialenses não resistiram ao raiar do novo século. Sinais da idade? Ou dos tempos?
O matutino “O Telégrafo” morreu com mais de 100 anos. Se fosse uma pessoa, poder-se-ia dizer que era uma bela idade para morrer. Mas sendo um jornal, é no mínimo preocupante pensar que se deixou morrer um título que durou mais de um século.
Já “O Correio da Horta” – o último vespertino que se publicava em Portugal – morreu aos 76 anos. É certo que ultrapassou a esperança de vida mínima em Portugal, mas podia ter tido muito mais anos pela frente.
Apesar da idade avançada, não podemos dizer que estes jornais pereceram de morte natural. Diz-se que a doença há muito os minava. À boca pequena, sempre ouvi falar que sofriam de “cancro” – de origem financeira, não operável. Mas será que este “cancro” não era tratável? Custa-me a crer na ausência de tratamentos fiáveis, ainda que algo dolorosos ou prolongados.
Em ambos os casos, alegou-se falência. Palavra forte, pesada, que geralmente implica encerramento imediato e sem retorno. Mas o que estará por detrás destas falências? A pergunta é minha, mas podia ser de qualquer faialense. Muito já a terão mesmo formulado, ainda que à boca pequena, na intimidade das suas casas ou por entre as mesas do café.
O que estará por detrás dessas falências, perguntava eu. Dívidas acumuladas? Má gestão? Fraca qualidade dos produtos? Falta de publicidade? Ausência de leitores? Excessso de concorrência? Falta de interesse da sociedade local?
Qualquer uma destas justificações seria suficiente para justificar o fecho de um jornal. Especialmente se uma delas se conjugar com outra, tão ou mais forte do que a primeira. Afinal, um jornal pode ter dívidas acumuladas porque houve falta de publicidade e má gestão. Ou porque houve excesso de concorrência e o produto não tinha qualidade suficiente. Ou porque havia má gestão e falta de leitores. Ou simplesmente porque a sociedade local não estava minimamente interessada em lê-lo.
Qualquer uma das combinações que enumerei é verosímil. Algumas podiam até ter justificado o encerramento de ambos os jornais há muitos anos. Então, porquê agora?
O fechar de um ciclo político podia ser a resposta, mas já muitos ciclos políticos se fecharam ao longo das últimas décadas e os dois jornais continuaram a existir. Podia dizer-se que a Igreja – proprietária de “O Correio da Horta” – perdeu poder, mas há muito que as igrejas açorianas se têm vindo a esvaziar e nem por isso o clero deixou de pregar a sua fé. Também podíamos pensar que as entidades locais deixaram de se preocupar com a sua terra, embora nunca o nível de preocupação (ainda que aparente) tenha sido tão alto. Resta então perguntar: o que falhou? A resposta podia ser simples. Podia, mas não é.
Tenho a certeza de que a sociedade faialense se preocupa mais do que nunca - com os seus filhos, com os seus negócios, com as suas propriedades, com a sua saúde, com o seu corpo, com a sua imagem. Preocupa-se tanto que se esqueceu do essencial: o futuro.
O encerramento dos jornais “O Telégrafo” e “O Correio da Horta” veio provar que os faialenses não dão importância à sua história. Como se nada fosse, deixaram morrer os jornais que ajudaram a construir a sua própria identidade. Desconfio mesmo que tenham dado a última machadada.
Dizem que o tempo se encarrega de tudo, mas não sei se a imprensa faialense recuperará sem mazelas destas duas mortes. O futuro foi desprezado por quem esqueceu o peso da história. E quem deixa apagar o passado é capaz de tudo.»
Lídia Bulcão, in Tribuna das Ilhas de 30-03-2007
O matutino “O Telégrafo” morreu com mais de 100 anos. Se fosse uma pessoa, poder-se-ia dizer que era uma bela idade para morrer. Mas sendo um jornal, é no mínimo preocupante pensar que se deixou morrer um título que durou mais de um século.
Já “O Correio da Horta” – o último vespertino que se publicava em Portugal – morreu aos 76 anos. É certo que ultrapassou a esperança de vida mínima em Portugal, mas podia ter tido muito mais anos pela frente.
Apesar da idade avançada, não podemos dizer que estes jornais pereceram de morte natural. Diz-se que a doença há muito os minava. À boca pequena, sempre ouvi falar que sofriam de “cancro” – de origem financeira, não operável. Mas será que este “cancro” não era tratável? Custa-me a crer na ausência de tratamentos fiáveis, ainda que algo dolorosos ou prolongados.
Em ambos os casos, alegou-se falência. Palavra forte, pesada, que geralmente implica encerramento imediato e sem retorno. Mas o que estará por detrás destas falências? A pergunta é minha, mas podia ser de qualquer faialense. Muito já a terão mesmo formulado, ainda que à boca pequena, na intimidade das suas casas ou por entre as mesas do café.
O que estará por detrás dessas falências, perguntava eu. Dívidas acumuladas? Má gestão? Fraca qualidade dos produtos? Falta de publicidade? Ausência de leitores? Excessso de concorrência? Falta de interesse da sociedade local?
Qualquer uma destas justificações seria suficiente para justificar o fecho de um jornal. Especialmente se uma delas se conjugar com outra, tão ou mais forte do que a primeira. Afinal, um jornal pode ter dívidas acumuladas porque houve falta de publicidade e má gestão. Ou porque houve excesso de concorrência e o produto não tinha qualidade suficiente. Ou porque havia má gestão e falta de leitores. Ou simplesmente porque a sociedade local não estava minimamente interessada em lê-lo.
Qualquer uma das combinações que enumerei é verosímil. Algumas podiam até ter justificado o encerramento de ambos os jornais há muitos anos. Então, porquê agora?
O fechar de um ciclo político podia ser a resposta, mas já muitos ciclos políticos se fecharam ao longo das últimas décadas e os dois jornais continuaram a existir. Podia dizer-se que a Igreja – proprietária de “O Correio da Horta” – perdeu poder, mas há muito que as igrejas açorianas se têm vindo a esvaziar e nem por isso o clero deixou de pregar a sua fé. Também podíamos pensar que as entidades locais deixaram de se preocupar com a sua terra, embora nunca o nível de preocupação (ainda que aparente) tenha sido tão alto. Resta então perguntar: o que falhou? A resposta podia ser simples. Podia, mas não é.
Tenho a certeza de que a sociedade faialense se preocupa mais do que nunca - com os seus filhos, com os seus negócios, com as suas propriedades, com a sua saúde, com o seu corpo, com a sua imagem. Preocupa-se tanto que se esqueceu do essencial: o futuro.
O encerramento dos jornais “O Telégrafo” e “O Correio da Horta” veio provar que os faialenses não dão importância à sua história. Como se nada fosse, deixaram morrer os jornais que ajudaram a construir a sua própria identidade. Desconfio mesmo que tenham dado a última machadada.
Dizem que o tempo se encarrega de tudo, mas não sei se a imprensa faialense recuperará sem mazelas destas duas mortes. O futuro foi desprezado por quem esqueceu o peso da história. E quem deixa apagar o passado é capaz de tudo.»
Lídia Bulcão, in Tribuna das Ilhas de 30-03-2007
domingo, 25 de março de 2007
Movimentos sem fé
"Viajamos para o que podíamos ser. Talvez já não chegue para a fé mas ainda não chega para uma bala. A grande fé é imóvel, é o próprio movimento, eis tudo. São os infiéis que inventam o movimento."
Alexandra Lucas Coelho, in Público de 23/03/2007
Alexandra Lucas Coelho, in Público de 23/03/2007
quinta-feira, 22 de março de 2007
New Blogger só chateia
Por ser novo, devia facilitar o trabalho dos bloggers. Mas, ao invés disso, o New Blogger só nos chateia a cabeça e complica as coisas simples. Para já, gostava de saber o que é que o New Blogger tem contra acentos, aspas, cedilhas e outros que tais?
(E não vale dizer que a culpa é do alfabeto português, que usa muitas coisas estranhas ao básico inglês)
(E não vale dizer que a culpa é do alfabeto português, que usa muitas coisas estranhas ao básico inglês)
sexta-feira, 16 de março de 2007
«The Mommy Test»
«I was out walking with my 4 year old daughter. She picked up something off the ground and started to put it in her mouth. I took the item away from herand I asked her not to do that. "Why?" my daughter asked. "Because it'sbeen on the ground, you don't know where it's been, it's dirty and probably has germs" I replied.
At this point, my daughter looked at me with total admiration and asked,"Mommy, how do you know all this stuff? You are so smart."
I was thinking quickly. "All moms know this stuff. It's on the Mommy Test. You have to know it, or they don't let you be a Mommy." We walked along in silence for 2 or 3 minutes, but she was evidently pondering this newinformation.
"OH...I get it!" she beamed, "So if you don't pass the test you have to be the daddy."
"Exactly" I replied back with a big smile on my face.»
PS - Este texto chegou-me via email, mas acho que merece ser postado para outras bravas lerem e sorrirem, eheh!
At this point, my daughter looked at me with total admiration and asked,"Mommy, how do you know all this stuff? You are so smart."
I was thinking quickly. "All moms know this stuff. It's on the Mommy Test. You have to know it, or they don't let you be a Mommy." We walked along in silence for 2 or 3 minutes, but she was evidently pondering this newinformation.
"OH...I get it!" she beamed, "So if you don't pass the test you have to be the daddy."
"Exactly" I replied back with a big smile on my face.»
PS - Este texto chegou-me via email, mas acho que merece ser postado para outras bravas lerem e sorrirem, eheh!
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Revista "CAIS" dedicada aos Açores
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Com os pés na vida II

Olho para as imagens de Amillia e arrepio-me. Com a sua pequenez, com a sua fragilidade, com a sua resistência, com o seu sofrimento. E pergunto-me o que teria sido da campanha ao aborto se esta história tivesse sido divulgada antes do referendo
do último dia 11 de Fevereiro. Ainda bem que não foi! Não quero nem imaginar as coisas que se teriam dito dos dois lados da campanha. Há histórias que por si dizem tudo. Tal como esta imagem.
Com os pés na vida

Estes podiam ser os pés de uma boneca Barbie ou Tucha. Podiam ser, mas não são. São os pés de Amillia, nascida com 22 semanas de gestação e 284grs. É a bebé mais prematura de sempre e, contra todos os prognósticos, sobreviveu. Quatro meses depois, tem quase dois quilos e 66 cm de comprimento. A saúde estabilizou e está para ter alta do Hospital Baptista para Crianças de Miami. Ainda assim, a sua vida é um milagre da ciência e da resistência humana. Resta saber se este milagre terá um final feliz...
Arqueólogos portugueses em Stonehenge
A edição de hoje do jornal PÚBLICO chama-lhes «Os nossos agentes em Stonehenge». Refere-se aos quatro arqueólogos portugueses que estavam em Stonehenge no momento em que foram descobertas as casas onde terão vivido os construtores do monumento megalítico mais famoso do Mundo.
«Num minuto, estavam a escavar em Castanheiro do Vento, Foz Côa; no minuto seguinte, estavam a escavar em Durrington Walls, Stonehenge. É normal haver saltos destes, quânticos, quanto se trabalha em Arqueologia, mas este continua a parecer paranormal: o que faziam quatro arqueólogos portugueses em Durrington Walls, a quatro quilómetros de Stonehenge mas a 1630 quilómetros de casa, quando se descobriram as cabanas onde terão vivido os construtores do monumento megalítico mais famoso do Mundo? O mesmo que fazem há nove anos em Castanheiro do Vento. Com esta diferença: dez dias em Stonehenge valem mais (de repente, eles estão nos jornais e ainda nao perceberam porquê).»
Ana Margarida Vale, Bárbara Carvalho, Gonçalo Leite Velho e João Muralha são os quatro de quem se fala no artigo do PÚBLICO, assinado pela jornalista Inês Nadais. Os quatro de quem ainda se vai ouvir falar muito mais, digo eu. Não só porque «toda a gente quer saber o que fizeram no Verão passado», como escreve a jornalista do PÚBLICO, mas sobretudo porque estas estranhas coincidências parecem ser muito mais do que fruto do acaso. É certo que há descobertas que falam por si. Mas, por norma, a sorte só ajuda a quem muito e bem trabalha!
«Num minuto, estavam a escavar em Castanheiro do Vento, Foz Côa; no minuto seguinte, estavam a escavar em Durrington Walls, Stonehenge. É normal haver saltos destes, quânticos, quanto se trabalha em Arqueologia, mas este continua a parecer paranormal: o que faziam quatro arqueólogos portugueses em Durrington Walls, a quatro quilómetros de Stonehenge mas a 1630 quilómetros de casa, quando se descobriram as cabanas onde terão vivido os construtores do monumento megalítico mais famoso do Mundo? O mesmo que fazem há nove anos em Castanheiro do Vento. Com esta diferença: dez dias em Stonehenge valem mais (de repente, eles estão nos jornais e ainda nao perceberam porquê).»
Ana Margarida Vale, Bárbara Carvalho, Gonçalo Leite Velho e João Muralha são os quatro de quem se fala no artigo do PÚBLICO, assinado pela jornalista Inês Nadais. Os quatro de quem ainda se vai ouvir falar muito mais, digo eu. Não só porque «toda a gente quer saber o que fizeram no Verão passado», como escreve a jornalista do PÚBLICO, mas sobretudo porque estas estranhas coincidências parecem ser muito mais do que fruto do acaso. É certo que há descobertas que falam por si. Mas, por norma, a sorte só ajuda a quem muito e bem trabalha!
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