terça-feira, 7 de março de 2006

Parabens Flávia

A nossa "piquena" terminou o exame á ordem e agora já temos uma grande advogada no nosso pasto.
Muitos parabéns de todo o gado.

sábado, 4 de março de 2006

Concursos

A Câmara Municipal da Horta resolveu abrir concursos para:

Cartaz da Semana do Mar 2006
Logótipo da Semana do Mar
Mascote da Semana do Mar
Marcha oficial da Semana do Mar 2006

Senhores e senhoras jeitosos para as artes façam o favor de participar. Mais informações no blog da Semana do Mar da CMH.

sexta-feira, 3 de março de 2006

«Vidas naturalmente violentas»

«Um grupo de 14 jovens, com idades compreendidas entre os 10 e os 16 anos, é suspeito de ter espancado até à morte um sem-abrigo, travesti e toxicodependente. (...)

Enquanto analiso os pormenores, só consigo lembrar-me de personagens de ficção. Vagueio por entre os rostos e os crimes dos meninos do filme “Cidade de Deus”, de Fernando Meireles, ou do livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado. Tento imaginar os rostos dos 14 adolescentes portugueses que se entregaram ao crime de forma tão natural quanto assustadora. E pergunto-me que vidas os terão levado a ser crianças tão violentas.

As notícias dizem que os jovens não queriam matar a vítima. Apenas dar-lhe uma lição. E que lição! Será, sem dúvida, uma daquelas que ficará para a vida. Mas para a vida de quem? Dos adolescentes? Dos responsáveis pela sua guarda? Do Estado que era suposto ajudar a recuperá-los e reinseri-los? Dos pais que não foram capazes de os educar e por isso perderam a sua guarda? Não sei, e duvido que alguém saiba. Mas facilmente imagino que estes 14 adolescentes se tenham limitado a repetir até à exaustão comportamentos que viram ou experimentaram ao longo da sua curta vida, fruto das lições que também alguém, um dia, lhes ensinou. (...)

Enquanto analiso este caso, vem-me à memória uma outra notícia, publicada esta semana no jornal Público sobre os “soldados que cresceram a brincar às guerras” em jogos de vídeo e que hoje estão «em batalha nos desertos e nas cidades do Iraque.

'Senti-me como se estivesse num jogo. Nem sequer me desconcertou responder aos disparos. Foi instinto natural. Boom! Boom! Boom! Boom!', contou ao Washington Post o sargento Sinque Swales, recordadando a primeira vez que disparou contra um inimigo, em Mosul". Esta descrição poderia ser entendida apenas como resultado de um treino militar, até porque os jogos de guerra foram incorporados na preparação dos soldados. Mas um estudo recente do Exército dos EUA deixa claro que para estes homens as teclas ‘Ctrl+Alt+Del’ são tão básicas como o ‘ABC’. (...)

Mais do que soldados bem treinados, são homens que vivem em função da guerra, passando os seus tempos livres a ver filmes sobre o tema ou a jogar em PlayStations e Xboxes que carregam para o Iraque como bagagem pessoal. O que fazem para se divertir só ajuda a tornar mais natural o acto de premir o gatilho e tirar a vida a um inimigo. Sem falhas de pontaria ou qualquer remorso na consciência.

Será exagero dizer que a sua naturalidade é semelhante às dos jovens portugueses que mataram um travesti à pancada? Não sei. Mas há, talvez, uma grande diferença. Os soldados foram criados com jogos que ensinam a disparar sem questionar, enquanto os jovens cresceram a aprender duras lições de vida. Provavelmente do mesmo género da que tentaram dar ao sem abrigo que mataram à pancada! »

Lídia Bulcão, in Jornal dos Açores, de 27/02/2006

Curto prazo é quando?

A gripe das aves já deixou de ser uma ameaça virtual na Europa há largas semanas, mas o Governo Açoriano parece que só agora acordou, a ver por esta notícia de ontem da Agência Lusa:

«O Governo açoriano vai promover a curto prazo uma reunião com as empresas estratégicas do arquipélago, públicas e privadas, para definir um plano de contingência a aplicar numa eventual pandemia originada pela gripe das aves.

A directora regional de Saúde, Maria Antónia Dutra, adiantou à agência Lusa que os planos público e privado serão estabelecidos "numa estimativa de que 25 por cento dos cerca de 240 mil habitantes das ilhas serão afectados".

Nessas circunstâncias, é necessário prever como vão funcionar os hospitais, estabelecimentos de ensino, comunicação social, serviços de fornecimento de energia, água, telefones e transportes públicos.

Maria Antónia Dutra sublinhou, porém, que "este cenário é pouco provável que se venha a verificar na região", mas alertou que "num mundo global, tudo pode acontecer".»

Pois pode! Não é preciso, nem devemos entrar em pânico. Mas a prevenção tem de ser feita. E é urgente que seja mais depressa do que "a curto prazo", expressão que deixa adivinha que ainda não há nada agendado...

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Vitórias

E viva o nosso andebol do Sporting da Horta!
Já só falta o Benfica... :)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Para quem quer melhorar a "Semana do Mar"















A Câmara Municipal da Horta teve uma boa ideia: criou um blogue para discutir o futuro da Semana do Mar.

«Se pensas que a Semana do Mar está a perder fôlego e que está na hora de renovar, não te limites a criticar, dá-nos ideias concretas e reais do que pode ser melhorado, atendendo à população da ilha do Faial e aos seus visitantes nessa época, evitando comparações desmedidas com outras festas!»

Este é o desafio que se pode ler em http://semanadomar.blogspot.com/. Aproveitem para ir lá dar uma maozinha!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Não resisti....aqui vai mais uma poesia

Não resisti a dar mais poesia a este pasto.
Aqui junto uma das minhas poesias preferidas de todo o sempre....mesmo depois de um dia negro, de uma queda neste labirinto que é a vida há sempre uma estrela a guiar os nossos passos. Nem sempre seguros mas sempre em frente!!


ON THE BEACH AT NIGHT de Walt Whitman

On the beach at night,
Stands a child with her father,
Watching the east, the autumn sky.
Up through the darkness,

While ravening clouds, the burial clouds, in black masses spreading,
Lower sullen and fast athwart and down the sky,
Amid a transparent clear belt of ether yet left in the east,
Ascends large and calm the lord-star Jupiter,
And nigh at hand, only a very little above,
Swim the delicate sisters the Pleiades.


From the beach the child holding the hand of her father,
Those burial-clouds that lower victorious soon to devour all,
Watching, silently weeps.


Weep not, child,
Weep not, my darling,
With these kisses let me remove your tears,
The ravening clouds shall not long be victorious,
They shall not long possess the sky, they devour the stars only in apparition,
Jupiter shall emerge, be patient, watch again another night, the Pleiades shall emerge,
They are immortal, all those stars both silvery and golden shall shine out again,
The great stars and the little ones shall shine out again, they endure,
The vast immortal suns and the long-enduring pensive moons shall again shine.


Then dearest child mournest thou only for Jupiter?
Considerest thou alone the burial of the stars?


Something there is,
(With my lips soothing thee, adding I whisper,
I give thee the first suggestion, the problem and indirection,)
Something there is more immortal even than the stars,
(Many the burials, many the days and night, passing away,)
Something that shall endure longer even than lustrous Jupiter,
Longer than sun or any revolving satellite,
Or the radiant sisters the Pleiades.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Aquarela de Toquinho

Quem tiver tempo vá espreitar este site com esta musica maravilhosa de Toquinho!!!

http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/aquarela.htm


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando contornando
A imensa curva norte sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul

Pinto um barco a vela branco navegando
é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América à outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá

O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá
E se faco chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá

«O peso dos instintos e das multidões»

«Fecho os olhos e ainda vejo aquela mulher que poderia ser minha tia-avó a calcorrear a sala do pub com mamas postiças e piadas brejeiras. Ainda sinto a euforia das vozes femininas alcoolicamente alteradas, reagindo ao fogo ateado por um stripper vestido de malabarista. E não esqueço o rosto da rapariga a quem nos tempos de liceu chamávamos rata de sacristia, perfeitamente deslumbrada perante o erotismo do espectáculo que os seus olhos viam.

Já se passaram dois anos sobre o dia em que vivi este cenário, mas ainda sinto a vergonha que experimentei ao perceber que aquele jantar era tudo menos um encontro de Amigas como o que eu esperava.

Alguns amigos já me tinham avisado que as mulheres ficavam loucas nesse dia, mas nunca pensei que fosse efectivamente assim. Na altura, estava fora das ilhas há nove anos e ansiava com saudade retomar a tradição de outros tempos. Só não esperava que esse dia parecesse um pesadelo de mau gosto.

Hoje, à luz da distância temporal e espacial, consigo finalmente escrever sobre o dia em que percebi que a tradição da Quinta-feira de Amigas havia sido mercantilizada da pior forma possível.

Poderá parecer caricato, mas a verdade é que senti mais o valor da amizade comemorando a tradição num qualquer recanto de Lisboa do que nos Açores, onde a partilha da intimidade com as amigas do peito deu lugar à partilha dos excessos com a multidão; onde as brincadeiras carnavalescas tradicionais deram lugar a uma curtição desmedida da noite; onde as amigas que passam o ano sem sair de casa se vingam dando asas à loucura insana, qual despedida de uma vida que não voltarão a viver.

Chamem-me conservadora se quiserem, mas ver mães e até avós perder a noção da realidade foi mais do que o meu coração conseguia aguentar. Decididamente, não fui feita para multidões e não gosto do que as multidões fazem aos homens e às mulheres de todos os dias.

Perante uma multidão, basta um click para que a euforia tome conta da massa e o descontrolo aconteça. A vivência açoriana do Dia das Amigas está a ser disso exemplo, mas não é o único. Os incidentes provocados na sequência da publicação de cartoons de Maomé ou os distúrbios que abalaram recentemente Paris podem entrar na mesma categoria.

Sei que é Carnaval e é suposto ninguém levar a mal, mas fiquei chocada com o comportamento das Amigas que festejam o seu dia trocando a amizade pela euforia de enlouquecerem sem que ninguém as chame à razão. Posso dizer mesmo que, apesar de ser católica convicta, fiquei mais chocada com o que vi entre as mulheres do que com as caricaturas de Deus que agora varrem a Internet em retaliação às de Maomé.

Ao contrário do que possa pensar quem ler estas linhas, a fé não me fez perder o sentido de humor. E conheço bem o valor da tolerância, tão fundamental quanto distinguir entre o bem e o mal. Mas por mais tolerante que seja, não consigo digerir bem certos excessos. Não percebo o porquê de se comemorar o Dia das Amigas com uma sessão de striptease, e ainda menos a necessidade de responder a uma caricatura ofensiva com actos de destruição e violência.

Talvez o mulherio pareça perder a noção do seu poder e use a loucura como forma de escape a uma vida demasiado reprimida. Talvez a multidão violenta descarregue a sua frustação naqueles que secretamente inveja. Talvez ambos sejam demasiado fracos para fugir ao peso da multidão. Mas nem uns nem outros podem dizer que não sabiam o que faziam ou que não tiveram noção do alcance dos seus actos.

Olho para estes acontecimentos tão distantes entre si, no espaço e nos protagonistas, com uma sombra no coração. Sinto que a natureza humana está muito longe da maturidade que o avanço das sociedades deveria ter permitido alcançar. Vejo que os instintos ainda são muito mais fortes do que a razão. E que, tal como nos animais, são demasiado fáceis de atiçar.»

Lídia Bulcão, in Jornal dos Açores de 13/02/2006

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

To my love on Valentine's Day

Em honra do meu santo e de todos os que amam.

Lullaby de W.H. Auden

Lay Your Sleeping head, my love,
Human on my faithless arm:
Time and fevers burn away
Individual beauty from
Thoughtful children,and the grave
Proves the child ephemeral:
But in my arms till break of day
Let the living creature lie,
Mortal, guilty, but to me
The entirely beautiful.

Soul and body have no bounds:
To lovers as they lie upon
Her tolerant enchanted slope
In their ordinary swoon,
Grave the vision Venus sends
Of supernatural sympathy,
Universal love and hope;
While an abstract insight wakes
Among the glaciers and the rocks
The hermit's carnal ecstasy,

Certainty, fidelity
On the stroke of midnight pass
Like vibrations of a bell
And fashionable madmen raise
Their pedantic boring cry:
Every farthing of the cost.
All the dreaded cards foretell.
Shall be paid, but from this night
Not a whisper, not a thought.
Not a kiss nor look be lost.

Beauty, midnight, vision dies:
Let the winds of dawn that blow
Softly round your dreaming head
Such a day of welcome show
Eye and knocking heart may bless,
Find our mortal world enough;
Noons of dryness find you fed
By the involuntary powers,
Nights of insult let you pass
Watched by every human love.