quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006
Feliz Dia de Amigas!
Com distância ou sem distância, há tradições que a saudade não esquece. As amigas do coração não precisam destes dias para saber o quão importantes são na nossa vida. Mas é precisamente a essas que me apetece sempre enviar um Feliz Dia de Amigas!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
Aposte neste "Jogo de Cartas"

O teatro parece estar a recuperar algum do fôlego de outros tempos no burgo faialense. Os grupos existentes são dinâmicos, tem vontade de fazer coisas novas e apostam na formação dos seus actores.
Um bom exemplo é o Teatro de Giz, que acabou de estrear uma nova peça. "Jogo de Cartas" está em cena no Teatro Faialense. Ainda não vi a peça, mas tenho ouvido dizer que vale a pena. Por isso, recomendo que a vejam. Afinal, cada um tem a sua própria sensibilidade e só depois de assitirem poderão formar opinião.
De qualquer modo, o Teatro de Giz já ganhou, por não ter esmorecido as vontades quando nem tudo eram rosas e nem sala de espectáculos em condições havia na ilha. Mas é bom ver que não perdeu a dinâmica!
IV Ciclo Agostiniano
A Faialentejo continua o seu bom trabalho em prol da divulgação cultural e filosófica, com a organização de mais um Ciclo Agostiniano. Deixo aqui o programa, a pedido da nossa Gado Bravo filósofa, para que os privilegiados que pastam em terras faialenses possam aproveitar. Como diz a organização, «faz toda a diferença a vossa participação neste Ciclo».
IV CICLO AGOSTINIANO - AÇORES "A DIFERENÇA"
FAIAL
10 DE FEVEREIRO DE 2006 (Sexta-Feira)
15:00 - Recepção dos convidados.
BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO REGIONAL DA HORTA
20:00 - Vamos falar de Agostinho da Silva:
- Apresentação do Livro "Agostinho da Silva. Uma antologia Temática e Cronológica", de Paulo Borges, edição de Âncora Editora;
- Apresentação do livro: "Agostinho e a Cultura Luso-Brasileira (actas doColóquio de 2004)", edição Âncora Editora;Leitura de textos;
- Relatos de acontecimentos da sua vida.
11 DE FEVEREIRO DE 2006 (Sábado)
POLIVALENTE DO CAPELO
09:45 - Abertura do IV Ciclo Agostiniano - Açores.
10:00 - Apresentação do livro de actas do III Ciclo.
10:15 - Conferência sobre A Diferença.
17:00 - Encerramento da Conferência.
21:00 - Leitura das Conclusões da Conferência.
21:30 - Noite Surpresa - ANAMAR ao vivo.
12 DE FEVEREIRO DE 2006 (Domingo)
09:45 - Visita à Ilha.
POLIVALENTE DO CAPELO
21:00 - Noite Regional, pelo Grupo Margens.
13 DE FEVEREIRO DE 2006 (Segunda-feira)
POLIVALENTE DO CAPELO
15:00 - Representação da Peça de Teatro "Liberdade de Pensar", texto deVoltaire, com tradução de Agostinho da Silva, pelo Grupo de Teatro emMovimento e encenação de Leandro Vale.
21:00 - Passagem do filme: "A vida e obra de Agostinho da Silva", de JoãoRodrigo Mattos e Silva.
DURANTE O CICLO
BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO REGIONAL DA HORTA
Exposições Bibliográfica e Fotobiográfica.
Feira do Livro.
Lugar de Cultura Elisa Cabral da Silva, 2006
IV CICLO AGOSTINIANO - AÇORES "A DIFERENÇA"
FAIAL
10 DE FEVEREIRO DE 2006 (Sexta-Feira)
15:00 - Recepção dos convidados.
BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO REGIONAL DA HORTA
20:00 - Vamos falar de Agostinho da Silva:
- Apresentação do Livro "Agostinho da Silva. Uma antologia Temática e Cronológica", de Paulo Borges, edição de Âncora Editora;
- Apresentação do livro: "Agostinho e a Cultura Luso-Brasileira (actas doColóquio de 2004)", edição Âncora Editora;Leitura de textos;
- Relatos de acontecimentos da sua vida.
11 DE FEVEREIRO DE 2006 (Sábado)
POLIVALENTE DO CAPELO
09:45 - Abertura do IV Ciclo Agostiniano - Açores.
10:00 - Apresentação do livro de actas do III Ciclo.
10:15 - Conferência sobre A Diferença.
17:00 - Encerramento da Conferência.
21:00 - Leitura das Conclusões da Conferência.
21:30 - Noite Surpresa - ANAMAR ao vivo.
12 DE FEVEREIRO DE 2006 (Domingo)
09:45 - Visita à Ilha.
POLIVALENTE DO CAPELO
21:00 - Noite Regional, pelo Grupo Margens.
13 DE FEVEREIRO DE 2006 (Segunda-feira)
POLIVALENTE DO CAPELO
15:00 - Representação da Peça de Teatro "Liberdade de Pensar", texto deVoltaire, com tradução de Agostinho da Silva, pelo Grupo de Teatro emMovimento e encenação de Leandro Vale.
21:00 - Passagem do filme: "A vida e obra de Agostinho da Silva", de JoãoRodrigo Mattos e Silva.
DURANTE O CICLO
BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO REGIONAL DA HORTA
Exposições Bibliográfica e Fotobiográfica.
Feira do Livro.
Lugar de Cultura Elisa Cabral da Silva, 2006
Filmes faialenses premiados na "Macaquins"
«Os filmes "Amor de Mãe", de Cláudia Pito, Luís Carlos Vargas e Marlene Luna, e "Endocranium", de Paulo Neves, foram os vencedores dos prémios Escola dos Açores e Realizador dos Açores, respectivamente, da edição deste ano da mostra de cinema de animação de São Miguel "Macaquins".
"Amor de Mãe", produzido pela Escola Secundária Dr. Manuel de Arriaga, da Horta, e "Endocranium" (Ovarvídeo – Festival de Vídeo de Ovar 2005: Pré-Selecção do Júri), com Produção do Cineclube da Horta, foram premiados por um júri, composto por: Carlos Decq Mota, Director do Anima; Osvaldo Cabral, Director da RTP-Açores; Bernardo Cabral, Realizador; Carlos Miranda, Director do Cine-Solmar, e João Pedro Vaz de Medeiros, Professor e membro da MUU - Produções Culturais.
(...) A “Macaquins”, mostra de cinema de animação de São Miguel, organizada pela MUU – Produções Culturais, completou este ano a sua 4ª edição, impondo-se cada vez mais como um importante acontecimento cultural nos Açores, no âmbito do Cinema.»
in site do Cineclube da Horta (http://www.cineclube.org/art.php?artid=59)
"Amor de Mãe", produzido pela Escola Secundária Dr. Manuel de Arriaga, da Horta, e "Endocranium" (Ovarvídeo – Festival de Vídeo de Ovar 2005: Pré-Selecção do Júri), com Produção do Cineclube da Horta, foram premiados por um júri, composto por: Carlos Decq Mota, Director do Anima; Osvaldo Cabral, Director da RTP-Açores; Bernardo Cabral, Realizador; Carlos Miranda, Director do Cine-Solmar, e João Pedro Vaz de Medeiros, Professor e membro da MUU - Produções Culturais.
(...) A “Macaquins”, mostra de cinema de animação de São Miguel, organizada pela MUU – Produções Culturais, completou este ano a sua 4ª edição, impondo-se cada vez mais como um importante acontecimento cultural nos Açores, no âmbito do Cinema.»
in site do Cineclube da Horta (http://www.cineclube.org/art.php?artid=59)
«A propósito de Jornadas Turísticas»
«Foi precisamente o presidente da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores que, para adiantar serviço, foi dizendo que dois dos principais problemas são a animação e as acessibilidades. Avançou ainda que a natureza fechada dos Açores e a pobreza da gastronomia são alguns dos factores a merecer particular atenção.
É aqui que entramos em desacordo, uma vez que (...) a gastronima açoriana, sem ser muito variada, chega bem para preencher um saboroso cardápio, se for confeccionada com a devida matéria-prima.
Se se consente que se sirva morcela acompanhada de batata frita e se lhe chama um prato típico é evidente que algo está muito mal e deve ser, além de evitado, seriamente reprimido. (...)
Qto à natureza fechada dos açorianos é bom não generalizar visto que os faialenses, embora não tenham o encanto nem o brilho intelectual de Lili Caneças, não se têm dado mal com o contacto que têm mantido com portugueses e estrangeiros que nos visitam ou mesmo se radicam cá. (...)
O que realmente parece faltar em algumas áreas é resumido numa palavra e essa palavra é profissionalismo, que com o tempo virá, mas que já tarda...»
António Ramos, in Tribuna das Ilhas de 3 de Fevereiro
Se isto é o que se diz antes das V Jornadas de Turismo dos Açores começarem, imagino o que se dirá durante o certame. Recomendo vivamente que alguém ofereça um livro de gastronomia açoriana ao Presidente da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (para os sabores faialenses, recomento "As Receitas da Isaura") e, já agora, uma visita guiada ao Peter's. Talvez ajude a evitar destroços demolidores como estes que o colunista do Tribuna das Ilhas refere.
É aqui que entramos em desacordo, uma vez que (...) a gastronima açoriana, sem ser muito variada, chega bem para preencher um saboroso cardápio, se for confeccionada com a devida matéria-prima.
Se se consente que se sirva morcela acompanhada de batata frita e se lhe chama um prato típico é evidente que algo está muito mal e deve ser, além de evitado, seriamente reprimido. (...)
Qto à natureza fechada dos açorianos é bom não generalizar visto que os faialenses, embora não tenham o encanto nem o brilho intelectual de Lili Caneças, não se têm dado mal com o contacto que têm mantido com portugueses e estrangeiros que nos visitam ou mesmo se radicam cá. (...)
O que realmente parece faltar em algumas áreas é resumido numa palavra e essa palavra é profissionalismo, que com o tempo virá, mas que já tarda...»
António Ramos, in Tribuna das Ilhas de 3 de Fevereiro
Se isto é o que se diz antes das V Jornadas de Turismo dos Açores começarem, imagino o que se dirá durante o certame. Recomendo vivamente que alguém ofereça um livro de gastronomia açoriana ao Presidente da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (para os sabores faialenses, recomento "As Receitas da Isaura") e, já agora, uma visita guiada ao Peter's. Talvez ajude a evitar destroços demolidores como estes que o colunista do Tribuna das Ilhas refere.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006
Quando o chefe manda...
«O presidente do Governo açoriano afirmou que o endividamento da região constitui um "instrumento ao serviço do desenvolvimento" das ilhas, uma interpretação que admitiu ser diferente da do Tribunal de Contas.
"Este é um exemplo de como é possível ter uma opinião diferente da do Tribunal de Contas, sem cultivar a ilegalidade, nem uma rebelião em relação às directrizes que devemos acatar em matérias que são estritamente legais", salientou Carlos César, durante o plenário da Assembleia Regional.
Na discussão parlamentar sobre da Conta da Região referente a 2003, o presidente do executivo açoriano considerou que o endividamento, directo e indirecto, representa um instrumento com a finalidade de desenvolver as ilhas.
"Em todas as administrações, em todas as autarquias, em todos os países e a todos os níveis, fazem-se endividamentos por este mundo fora. Só não tem endividamento quem é caloteiro ou não tem capacidade para se endividar", sublinhou.»
in Lusa
Perante tão brilhante exemplo do nosso governante máximo, que mais pode o povo fazer senão correr ao banco para pedir mais um créditozinho. Afinal, ninguém gosta de ser chamado de caloteiro, nem tão pouco de pobretanas.
Com sorte, o crédito vai dar para pagar as férias do ano passado e as do próximo, deixando uns tostõeszinhos para pagar os juros do cartão de crédito...
"Este é um exemplo de como é possível ter uma opinião diferente da do Tribunal de Contas, sem cultivar a ilegalidade, nem uma rebelião em relação às directrizes que devemos acatar em matérias que são estritamente legais", salientou Carlos César, durante o plenário da Assembleia Regional.
Na discussão parlamentar sobre da Conta da Região referente a 2003, o presidente do executivo açoriano considerou que o endividamento, directo e indirecto, representa um instrumento com a finalidade de desenvolver as ilhas.
"Em todas as administrações, em todas as autarquias, em todos os países e a todos os níveis, fazem-se endividamentos por este mundo fora. Só não tem endividamento quem é caloteiro ou não tem capacidade para se endividar", sublinhou.»
in Lusa
Perante tão brilhante exemplo do nosso governante máximo, que mais pode o povo fazer senão correr ao banco para pedir mais um créditozinho. Afinal, ninguém gosta de ser chamado de caloteiro, nem tão pouco de pobretanas.
Com sorte, o crédito vai dar para pagar as férias do ano passado e as do próximo, deixando uns tostõeszinhos para pagar os juros do cartão de crédito...
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
O Doente
- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um doente.
- Qual é o nome do doente?
- Chama-se Celso e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a chamada para o sector de enfermagem...
- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes. O que deseja?
- Gostaria de saber as condições clínicas do doente Celso do 302, por favor!
- Um minuto, vou localizar o médico de serviço.
- Aqui é o Dr. Carlos. Em que posso ser-lhe útil?
- Olá, Sr. doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre o estado de saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302.
- Ok, vou consultar a ficha do doente... Só um instante! Ora aqui está: ele alimentou-se bem hoje, a tensão arterial e a pulsação estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado do monitor cardíaco amanhã. Continuando bem, o médico responsável dar-lhe-á alta em três dias.
- Ahhhh, graças a Deus! São notícias óptimas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da
família?
- Não, sou o próprio Celso que telefona daqui do 302!!! É que todo o mundo entra e sai do quarto e ninguém me diz a ponta de um corno... só queria saber se estava melhor!!
(Chefe Gado Bravo, eu já sei que não devemos colocar anedotas aqui, mas isto demonstra tão bem o modo como somos tratadinhas em alguns Hospitais e vai picar tanto as Bravas enfermeiras que pus aqui só para elas me darem agora poderios de marradas verbais! eh eh eh! )
- Qual é o nome do doente?
- Chama-se Celso e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a chamada para o sector de enfermagem...
- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes. O que deseja?
- Gostaria de saber as condições clínicas do doente Celso do 302, por favor!
- Um minuto, vou localizar o médico de serviço.
- Aqui é o Dr. Carlos. Em que posso ser-lhe útil?
- Olá, Sr. doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre o estado de saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302.
- Ok, vou consultar a ficha do doente... Só um instante! Ora aqui está: ele alimentou-se bem hoje, a tensão arterial e a pulsação estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado do monitor cardíaco amanhã. Continuando bem, o médico responsável dar-lhe-á alta em três dias.
- Ahhhh, graças a Deus! São notícias óptimas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da
família?
- Não, sou o próprio Celso que telefona daqui do 302!!! É que todo o mundo entra e sai do quarto e ninguém me diz a ponta de um corno... só queria saber se estava melhor!!
(Chefe Gado Bravo, eu já sei que não devemos colocar anedotas aqui, mas isto demonstra tão bem o modo como somos tratadinhas em alguns Hospitais e vai picar tanto as Bravas enfermeiras que pus aqui só para elas me darem agora poderios de marradas verbais! eh eh eh! )
quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Seduzida pela humidade
Apesar de estar longe das ilhas, tenho passado os últimos dias rodeada de humidade, que também aqui parece entranhada no clima. São as janelas que escorrem água, os carros embaciados durante a noite, as paredes com sombras que ameaçam ficar negras e até as névoas que baixam até ao nosso olhar.
Não fosse o cheiro a lenha que paira na atmosfera e o ar demasiado frio, até poderia pensar que o clima das ilhas está lá fora. Mas esta humidade não penetra nos ossos como a nossa. O cheiro é outro, mais forte, mas também mais leve.
De manhã, o sol já brilha forte, apesar de ainda fresco. Não há sombra do nevoeiro que me toldou a vista durante a noite. A humidade evaporou-se como que de repente e a vista para o rio, quase transformado em sapal, puxa-me para a realidade. O mar está longe. E a bruma das ilhas também.
Não fosse o cheiro a lenha que paira na atmosfera e o ar demasiado frio, até poderia pensar que o clima das ilhas está lá fora. Mas esta humidade não penetra nos ossos como a nossa. O cheiro é outro, mais forte, mas também mais leve.
De manhã, o sol já brilha forte, apesar de ainda fresco. Não há sombra do nevoeiro que me toldou a vista durante a noite. A humidade evaporou-se como que de repente e a vista para o rio, quase transformado em sapal, puxa-me para a realidade. O mar está longe. E a bruma das ilhas também.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
«A Invenção da Manhã»
Porque a autora deste conto, Carla Cook, é faialense e porque o significado das suas linhas é mais profundo do que as suas escassas páginas, deixo aqui alguns excertos de “A Invenção da Manhã”, que foi publicado na “Seixo Review”, uma revista de literatura e artes escrita em português, galego e inglês, publicada na Internet a partir do Canadá (www.seixoreview.com).
«É curioso como todos, sem excepção, maldizemos a vida e, todavia, nos agarramos a ela como naúfragos aos destroços de um barco.
(...)
Sei bem que a vida entediada das ilhas, o mormaço brumoso dos Invernos, a teia rodada dos dias sem fim que asfixiava... tudo isto fazia desejar aventura, uma fuga de espaço, talvez até de tempo, e não nego que eu personificava bem tudo isto. Eu fui, talvez, a mudança, onde nem o vento faltava de feição. E ela desejava, mais que tudo, navegar para longe.
(...)
Minha irmã Clara tinha, igualmente, um amor pouco comum pela ilha. Parecia extrair dela uma vitalidade essencial, compassava-se pelos seus ritmos como um animal nativo ou uma planta endémica.
(...)
Pareceu-me que, tal como eu, ela dava a vida inteira todos os dias, sem o saber, e sem pressa. Devagar e com sabor.
(...)
Julgar um homem é fácil. Todos são juízes, como todos são marinheiros mas não saberiam governar o barco em que navego. A sensação de desespero que se apodera de um homem que perde o controlo do seu leme não tem nome. Tudo parece absolutamente inútil, fenece num ápice, sentes-te tomado dum pavor de comparações e metáforas tolas. E eu já disse que sou um homem prático e que apanhei Clara como se apanha um flor – de sacão e sem ligar à seiva que escorria.»
«É curioso como todos, sem excepção, maldizemos a vida e, todavia, nos agarramos a ela como naúfragos aos destroços de um barco.
(...)
Sei bem que a vida entediada das ilhas, o mormaço brumoso dos Invernos, a teia rodada dos dias sem fim que asfixiava... tudo isto fazia desejar aventura, uma fuga de espaço, talvez até de tempo, e não nego que eu personificava bem tudo isto. Eu fui, talvez, a mudança, onde nem o vento faltava de feição. E ela desejava, mais que tudo, navegar para longe.
(...)
Minha irmã Clara tinha, igualmente, um amor pouco comum pela ilha. Parecia extrair dela uma vitalidade essencial, compassava-se pelos seus ritmos como um animal nativo ou uma planta endémica.
(...)
Pareceu-me que, tal como eu, ela dava a vida inteira todos os dias, sem o saber, e sem pressa. Devagar e com sabor.
(...)
Julgar um homem é fácil. Todos são juízes, como todos são marinheiros mas não saberiam governar o barco em que navego. A sensação de desespero que se apodera de um homem que perde o controlo do seu leme não tem nome. Tudo parece absolutamente inútil, fenece num ápice, sentes-te tomado dum pavor de comparações e metáforas tolas. E eu já disse que sou um homem prático e que apanhei Clara como se apanha um flor – de sacão e sem ligar à seiva que escorria.»
quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
A ressaca do abraço gigante
Sei que este é o meu primeiro post do ano no Gado Bravo, mas não me apetece entrar naquela onda desejar tudo aquilo que já vos desejaram. Primeiro, porque já ninguém se interessa. Segundo, porque o espírito festivo já não paira sobre mim. Prefiro, pois, citar o blog da Oficina de Artes e Ofícios de Avis:
"Dezembro é para mim um mês completamente anacrónico, porque foge aos meus parâmetros de tranquilidade mental e fisica. Não quero dizer com isto que seja mau. É diferente e muito cansativo."
in http://oficinartes.blogspot.com
Subscrevo inteiramento essa do "mês diferente" e "cansativo". Gosto muito de Dezembro, mas quando acaba apetece-me gritar "finalmente!" e depois "encerrar para balanço", como faz o comércio tradicional.
Em Dezembro, parece que temos de abraçar o mundo inteiro com os mesmos braços de sempre. E sempre a sorrir, como se fossemos a mulher-elástica dos "Incredibles". Mas por mais que estiquemos os braços, a verdade é que eles não chegam mesmo para todos e, ainda por cima, quase não sobram para nós, que acabamos exaustos e a precisar de férias.
Volvidos 11 dias do primeiro mês no ano, os meus braços ainda não voltaram ao normal, mas já consigo teclar com fúria. Não sei é se isso é bom sinal, ou mau...
"Dezembro é para mim um mês completamente anacrónico, porque foge aos meus parâmetros de tranquilidade mental e fisica. Não quero dizer com isto que seja mau. É diferente e muito cansativo."
in http://oficinartes.blogspot.com
Subscrevo inteiramento essa do "mês diferente" e "cansativo". Gosto muito de Dezembro, mas quando acaba apetece-me gritar "finalmente!" e depois "encerrar para balanço", como faz o comércio tradicional.
Em Dezembro, parece que temos de abraçar o mundo inteiro com os mesmos braços de sempre. E sempre a sorrir, como se fossemos a mulher-elástica dos "Incredibles". Mas por mais que estiquemos os braços, a verdade é que eles não chegam mesmo para todos e, ainda por cima, quase não sobram para nós, que acabamos exaustos e a precisar de férias.
Volvidos 11 dias do primeiro mês no ano, os meus braços ainda não voltaram ao normal, mas já consigo teclar com fúria. Não sei é se isso é bom sinal, ou mau...
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