domingo, 28 de agosto de 2005

A solidariedade dos açorianos

Esta semana, 25 bombeiros açorianos partiram para se juntar ao combate de incêndios na zona de Coimbra. A propósito disso, não posso deixar de citar o editorial do Jornal dos Açores do dia 24 de Agosto (não é só nas ilhas que os jornais chegam com uns dias de atraso). Nele, o director João Paz exalta os «corajosos e dignos representants da solidariedade dos Açores para com as populações continentais portuguesas e martirizadas por múltiplos incêndios».

Referindo «este espírito de inter-ajuda, principalmente nos momentos mais difíceis», João Paz considera «o continente português uma a juntar às nove ilhas do soneto de 1926 do Padre Botelho, “saudoso Vigário das Furnas”, enderaçado, na altura, à mártir ilha do Faial». E porque o soneto é muito bonito, também o transcrevo abaixo.

“Nós somos nove irmãs. O nosso laço
Debalde vem mordendo o velho Oceano:
Quanto mais ele espuma ardido e insano
Tanto mais se afervora o nosso abraço.

Uma de nós-duleíssimo pedaço
Deste longo jardim açroriano-
Tremeu-lhe o coração, que enorme dano!...
E mísera se fez em breve espaço.

E agora nós, irmãs da infortuna
Vimos trazer conforto à desgraçada
E mostrar-lhe quão sentido é o nosso dó.

Que, quando uma de nós se afoga em mágoas,
Nos já não somos nove sobre as águas:
Somos a antiga Atlântida – uma só...”

Neste caso, somos um só país. Com ou sem mar pelo meio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

Viajantes e Turistas

Eles são de vários tipos, pois são...


Há o típico turista de máquina de filmar em riste (ou outra, último modelo), que viu todos os programas de tv sobre o país a visitar, e cujo objectivo máximo é voltar com provas materiais sobre a viagem (souvenirs, fotos dele próprio junto aos lugares ditos típicos, e um bronzeado espectacular!). Odeia a comidinha tradicional, é membro do Club mediteranée e, quando voltar, é para dizer aos amigos "Eu já estive lá", com um arzinho sobranceiro...

Há o que se quer abastecer da cultura do país que visita. Absorve tudo, qual esponjinha em vaigem. Ele é livros, paisagens, gastronomia, conversas e cerveja.Leu sobre nós, antes de vir, em obscuros artigos de revista que o pessoal nunca ouviu falar. É um tipo porreiro, mas adora falar de cinema negro e filosófico até às três da manhã, e visitar igrejas. Prefere a cidade ao campo, porque "curte a arquitectura".

Também há os que preferem os lugares intocados pelo Homem. A malta que ama o ambiente (e que detesta os outros turistas todos). A malta que conheceu os Açores através de uma conversa de amigos. Os do campismo ou do barco. Os da t-shirt usada e botas todo o terreno (quando é preciso).

E, last but not least, os que procuram a calma espiritual, a a liberdade e a união com o Universo. O pessoal das novas ideias, que parece estar a fazer um novo tipo de peregrinação. Ainda falta arranjar um nome para estes... Com tempo. Fruto desta época em que vivemos.

Ah! E, na minha terra, os iatistas... Mas esses não cabem aqui. São, como diz o povo, os aventureiros. E são tão especiais e tão livres (além de não serem sazonais) que mereciam um post à parte. :)

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

MALHADITA EM RECUPERAÇÃO

Venho por este meio cheio das inteligências, agradecer a todo o gado bravo que demonstrou solidariedade e preocupação para com a minha bezerrita.

Neste momento já estou instalada no meu modesto palheiro.
Depois de umas mini férias forçadas num pasto alheio, onde fui tratada com muita braveza (gado conhecido), a minha endiabrada "malhadita" recuperou (não confundir com cuperou...) a olhos vistos.

O portão do curral foi aberto na terça-feira para regressar ao meu pasto mas com sérias condições, tratar da bichinha com forte fúria e sobretudo não tirar o olho de cima da criatura.

A vigilância tem sido apertada e o cerco também, por agora a malhadita não pode saltar a cerca e dar azas ás suas maluqueiras, ficaremos nos proximos dias dentro do palheiro a ruminar e a ver as nossas amigas mumus aqui do pasto ao lado.

Obrigado a todo o gado bravo

Muaahhh e da Malhadita

A coisa está Preta

Comunicado do Primeiro Ministro

O Primeiro Ministro faz o Governo e todo o país saber que, até nova ordem, tendo em consideração a actual situação das contas públicas e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.

Chuif chuif

Muuaaahhhh

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Que braveza

Animado pelo anúncio da recandidatura de Mário Soares à Presidência da República, o nosso querido Eusébio já confirmou o seu regresso à Selecção.
Por seu turno, António Calvário começou a ensaiar o tema que vai levar ao Festival da Eurovisão de 2006.
No caso de Rosa Mota, a atleta portuense reconheceu não ter tempo para se preparar devidamente para os Jogos Olímpicos, a disputar na Alemanha, em 2008, pelo que resolveu adiar o seu regresso para os Jogos de Paris, em 2012, onde participará na Maratona e nos 10.000.
Finalmente, Portugal em movimento!

terça-feira, 2 de agosto de 2005

Balanço

Só para vos dizer que este mês não tenho um pingo de paciência para vir escrever seja o que fôr por aqui. Nem neste blog nem noutro qualquer - nada pessoal amigos, companheiros, palhaços - apenas coisas melhores que fazer.
Aliás, para vos dizer a verdade, prefiro contribuir para a silly season (a designação fashion do momento) do que largar por aí comentáriozecos (dignos de estudo) só para picar o ponto.
Só venho ler o Melancómico porque para o resto bastam os jornais.
Até já.

terça-feira, 26 de julho de 2005

Rir faz bem à saúde!

Segundo um estudo da Universidade de Valência, em Espanha, o humor em geral e a gargalhada em particular têm efeitos terapêuticos. Segundo este estudo, 5 minutos de gargalhadas equivalem a 45 minutos de exercício físico, vejam só! Se queimasse a mesma quantidade de calorias podem ter a certeza que haveria muitas mais pessoas a rirem... Hihihi

segunda-feira, 25 de julho de 2005

A despedida de um campeão...

Ontem o mundo despediu-se de mais um campeão, o que não podemos deixar passar em branco. Não é apenas um campeão na luta pelo pódio, mas também um campeão na luta contra o cancro.
Lance Armstrong terminou ontem a sua carreira desportiva no ciclismo, para tristeza de uns e alegria de outros. Isto porque há quem diga que é bom que isto tenha acontecido, tendo em conta que Armstrong venceu o Tour de France 7 anos consecutivos, e que estava na altura de dar lugar a novas estrelas!
Apesar de Armstrong ser apenas um campeão do Tour, já que foi a única prova que venceu, isso não lhe tira o mérito. Foi o único ciclista até hoje que cometeu uma proeza difícil de igualar: venceu 7 Tours de França consecutivos. Isto ainda ganha mais mérito se pensarmos que foi concretizado após um cancro...
Resta-nos agora recordar este grande atleta e aguardar pelo surgimento de novos campeões, entre os quais gostaríamos de encontrar o português José Azevedo, companheiro de equipa de Lance na "Discovery Channel".
Armstrong é, sem dúvida, fonte de inspiração para muitos, pela sua determinação na vida e no desporto, e uma lição de vida para todos nós. Por isso...
... Obrigado Lance!

sábado, 23 de julho de 2005

Que fazer com os escritores açorianos?

A revista Grande Reportagem de hoje publica uma interessante reportagem de Joel Neto, sob o título que aborda o encerramento da editora Salamandra e questiona o futuro da literatura açoriana. “Que farei com esta bruma?” é o título do texto do jornalista terceirense, que deixa no ar muitas questões pertinentes. Recomendo a leitura, mas para quem não tiver acesso ao original, deixo aqui alguns excertos.

«“A morte de uma editora é sempre de lamentar”, reage Eugénio Lisboa, poeta, ensaísta, crítico literário e um dos académicos do Continente que, nos últimos anos, mais atenção têm dado à literatura açoriana. “No caso da Salamandra, essa morte é especialmente grave, porque não haverá muitas outras editoras dispostas a publicar os autores dos Açores. Corremos o risco de calar por um período relativamente longo uma série de vozes importantes da língua portuguesa.”

(...) Que uma boa parte destes autores fique agora privada de editor há-de ter um lado bom e outro mau. Francisco José Viegas, escritor, jornalista e crítico continental que há muitos anos mantém atenção especial ao fenómeno, tenta não dramatizar: «Se calhar, a literatura açoriana precisa é de ser menos açoriana e mais literatura», dispara.

(...) E mesmo Nuno Costa Santos (...), um dos últimos autores a publicar na colecção Garajau – e o mais jovem ficcionista a aderir à Salamandra em muitos anos – também acha que o desespero será o pior dos caminhos, e prefere ironizar: “À partida, não é, digamos, uma boa notícia. A Salamandra e Bruno Ponte eram um porto de abrigo para a escrita açoriana (e uma forte forma de incentivo). Mas, ao mesmo tempo, isto poderá funcionar como desafio. Utilizando a facilidade da metáfora, pode ser que agora muitos escritores açorianos se façam finalmente ao mar (eu, por exemplo, já comprei as braçadeiras).”»

Souvenir de Angola

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