quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

A indecisão não pode ser desculpa

Confesso que me custa escrevê-lo, mas... Estou indecisa. Sei que as eleições são já no próximo domingo e que até vou poder votar no Faial, coisa que, ao longo destes anos, a distância tornou quase sempre impossível. O problema é que, desta vez, não sei mesmo onde pôr a cruz. Sei bem que não sou a única pessoa a viver este drama. Sei que meio país não acredita em nenhuma das promessas feitas por uns e por outros, nem tão pouco em quem as faz. Mas a verdade é que estou preocupada com a minha indecisão.

Sempre fiz parte daquele rol de pessoas que não têm dificuldades em tomar decisões. Começo por analisar os prós e os contras de cada opção e depois opto pela que me parece ser a mais certa. Nada mais simples! É claro que a vida se tem encarregue de me mostrar que nem sempre faço a escolha acertada, mas quando isso acontece tento transformar o erro numa vantagem. É uma boa forma de dar a volta à questão e ainda aprendo o que nunca aprenderia se tivesse acertado à primeira.

Considero-me, portanto, uma pessoa prática, que olha para o lado positivo das oportunidades que a vida oferece, sem descurar a procura de um bem comum. Talvez por isso nunca tenha sido pessoa de votar pelo partido, nem seguir qualquer doutrina partidária exclusiva (embora uns e outros tentem, sucessivamente, catalogar-me como sendo de esquerda ou de direita). Em vez disso, prefiro avaliar os líderes das listas pela minha própria cabeça, bem como as políticas que têm (ou não) sido realizadas. No fundo, escolho o tipo de Governo que quero para o futuro e isso costuma dizer tudo.

Contudo, os candidatos mais bem colocados para formar Governo depois das próximas eleições, têm feito tudo menos “ajudar-me” a escolher onde colocar a cruz no próximo domingo. Pelo contrário, cada vez que abrem a boca só me fazem ter vontade de fugir para longe caso algum deles for eleito. Não quero com isto defender o voto nos partidos mais pequenos. Longe disso! Não sou adepta de extremos, nem radicalismos, sejam eles de esquerda ou de direita. E é precisamente por isso que ainda estou mais indecisa.

Estas eleições são demasiado importantes para que eu escolha votar num partido radical só porque não tenho outra opção interessante. Tal como são demasiado importantes para votar em alguém que vive da imagem e para a imagem, seja ela reflectida do lado direito ou do lado esquerdo do espelho. Sendo assim, e bem vistas as coisas, será que sobra alguém em quem se possa votar? Que seja sério mesmo que não interessante? Quer-me parecer que não... E o meu problema é precisamente esse!

Com ou sem candidatos à altura dos desafios que Portugal precisa cumprir rapidamente, a verdade é que, tal como vocês, bravos e bravas deste País, vou ter de tomar uma decisão até domingo. O que não vou, de certeza, é deixar de votar, nem tão pouco permitir que outros escolham, por mim, o tal candidato, mesmo que nenhum deles o mereça ser Primeiro-ministro.

Deixar de ir votar só porque se está indeciso não é opção. A solução é sempre decidir. Mesmo que não se saiba onde colocar a cruz. Mesmo que a cruz escolhida se venha a revelar depois uma má opção. O que interessa é que pudémos escolher. E que o fizémos!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Momento Zen I

Uma pausa na crítica às campanhas com o mahnahmahna.

Blogue dos Marretas

Educação

"(...) A atribuição de horas mínimas para cada área disciplinar do 1.º ciclo faz parte de uma proposta de alteração dos planos curriculares em vigor preparada por uma equipa do Ministério da Educação (ME). A concretização das propostas dependerá, agora, da próxima equipa ministerial (...)
A equipa sugere a experimentação dos novos currículos por um ano, seguida de avaliação e generalização."
Mais uma proposta de alteração, mais uma sugestão, mais uma experimentação, mais uma avaliação, mais uma generalização... Provavelmente mais um ano perdido na Educação.
Era bom que as equipas escolhidas para o efeito trabalhassem a sério em vez de fazerem experiências, de experiências em educação já estamos nós fartos.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

Sobre o Luto Nacional - Irmã Lúcia

"(...)Por seu lado, Luís Fazenda recorda que "não se tratou de nenhum candidato nem de nenhuma figura de Estado", acrescentando que a decisão foi "partilhada" pelo Governo demissionário e pelo Presidente da República; finalmente, Helena Pinto abordou a laicidade do Estado português, apontando que "do ponto de vista do Estado não faz qualquer sentido fazer luto nacional", até porque, frisou, este deve ser somente realizado quando morre "uma pessoa com um papel e um protagonismo no âmbito do Estado(...)".
A ler no Público.
Mas esta gente tem mesmo que criticar tudo? Não sabem fazer mais nada à vidinha?
É que sejamos Católicos ou não, há que ter respeitinho e reconhecer o trabalho que a dita Senhora fez. Parece-me uma barbaridade olhar para o trabalho duma vida em prol do bem desta forma estupidamente cruel, se deveria ter sido ou não decretado luto nacional...? Oh pois paciência meus senhores. Pois paciência.

Campanhas de rua

Há muito boa gente que não gosta de fazer campanhas de rua.
Não os posso criticar, também não me revejo minimamente na coisa. Não temos todos que gostar, mas infelizmente é necessário que alguém o faça porque desde que se teimou que não há ideologias, sempre há o contacto directo com o candidato (quando o há).
Seja como for, não acredito em misturas de ideologias, acredito é que haja gente mal colocada dentro dos partidos e que ainda não sabe disso.
Se o povo fosse instruído e lesse as propostas dos partidos, ouvisse debates, participasse de alguma forma na vida política, tirasse as suas dúvidas e exercesse os seus deveres reclamando os seus direitos, não haveria necessidade dos partidos irem para a rua oferecer esferográficas e t-shirts. E ainda se poupavam uns trocos valentes nos brindes que poderiam ser canalizados para outra coisa mais útil.
Vendo bem, isso de receber um porta-chaves não traz votos, quando muito, talvez a t-shirt dê jeito para quando o Manel for às vacas. É definitivamente dinheiro mal gasto, até porque o Manel deve ter uma gaveta cheia delas e às cores.
O contacto directo com os eleitores também é uma coisa engraçada que a psicologia decerto há-de explicar. Lá passa o candidato a imagem de preocupação pela comunidade, de simpatia, de boa pessoa, de competência ou seja lá qual a máscara que escolheu para o dia, e vai para casa contente que até lhe deram umas palmadinhas nas costas. È uma lúcida ilusão porque eles bem sabem que quem lhes deu a palmadinha nas costas também as dará ao outro que venha atrás com mais porta-chaves.
Mesmo que a intenção seja das melhores, e não digo que não seja, porque ainda vejo que temos boa gente por aí nas ruas, convinha era que os candidatos se preocupassem mais em informar o povo das medidas que pretendem trazer em vez dos sorrisos de orelha e dos beijinhos às velhinhas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

As Miauu Girls

A título de boas vindas, temos mais um blog no mercado da boa disposição. Para os bravos e bravas mais distraídos que não repararam no link, é o Miauu Girls. Pertence à Maria Graça da Silveira, à Cândida Neves, à Maria Pia Imperatori e à Solange Sieuve de Menezes.
A elas, votos de sucesso para o Blog.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Individualismo

Artigo de opinião de Eduardo Prado Coelho, O Terceiro Pai, no Público, a ler.

Gilles Lipovetsky, n'O Crepúsculo do Dever, já alerta para este neo-individualismo contemporâneo, diz-nos que este não é necessariamente mau (ainda bem!), é apenas uma consequência da época, da concorrência, da globalização. No entanto, este neo-individualismo de Lipovetsky, pretende-se responsável - não tem rigorosamente nada a ver com o individualismo que Eduardo Prado Coelho nos fala.
Ser individualista pode até ser bom, além de se exigir mais de nós próprios, cai-se num perfeccionismo, quase numa auto-concorrência (boa para quem gosta de se superar, má para quem não gosta de se cansar...), mas sempre tendo uma sócio-consciência, e esta é que não convém descurar.
O individualista é aquele que não gosta de depender dos outros, não faz nada a pares, não anda em rebanho, nem que diz que sim quando acha que deve dizer não. E isto bem feito não fomenta o egoísmo, são coisas bem diferentes. O egoísmo dá-se por interesses sempre pessoais, o individualismo pode até ser para proteger alguém, na medida em que se o indivíduo tem o seu ritmo próprio, prefere não atrasar ou pressionar outro, então fá-lo sozinho e até talvez melhor.
O individualismo de que Eduardo Prado Coelho nos fala, é um individualismo plástico, de imagem - acaba por não ser nada, é perene, efémero. É um pseudo-individualismo porque é fruto de acasos, de peripécias, de manipulações.
Não se pode Ser algo tão frágil como a ideia criada pela imagem do que os outros pensam de nós, e é talvez por isso que esta sociedade, pelas palavras de EPC, seja uma sociedade depressiva, porque basta "outra publicidade" para que essa imagem seja mudada. Shakespeare diz que a água corre tranquila quando o rio é fundo, e com razão. Se as pessoas entendessem que se devem construir a si mesmas, criarem alicerces à sua estrutura em vez de serem meros reflexos, íamos todos muito melhor neste barco.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

"Quem quer ser Primeiro-ministro?"

Por mais que queira, não posso fugir ao tema do dia, que varia entre quem ganhou o debate de ontem na RTP 2 e quem o perdeu na SIC Notícias. Entre Santana e Sócrates, venha o diabo e escolha, digo eu. Mas o que interessa é que aquilo que o país assistiu em directo no canal mais visto em Portugal não foi um debate. A ver pelas luzes, pelas perguntas deixadas por responder, pela contabilidade do tempo e pelas respostas dos participantes, foi apenas a nova versão do "Quem quer ser Primeiro-ministro?". Só que o júri, formalmente instalado em quatro cadeiras sem molas, esqueceu-se de avisar os concorrentes de dois pormenores importantes: que o vencedor só seria conhecido no dia 20 de Fevereiro e que o dinheiro investido em sondagens não seria devolvido. Quanto ao prémio, esse, duvido que algum português no seu perfeito juízo o quisesse levar para casa. É que um país como o nosso não é fácil de esconder dos olhares invejosos dos vizinhos...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Boa notícia para as grávidas

Ao folhear o jornal A Capital, deparei com uma boa notícia para as bravas e bravos deste país, que não têm medo de se multiplicar. A licença de maternidade foi prolongada mais um mês, passando para cinco em vez de quatro. Só que a "boa notícia" não é perfeita. A licença é prolongada, mas o subsídio do quinto mês só é pago em 80%. Não se pode ter tudo, não é?

A medida, que já foi aprovada em Conselho de Ministros, é um dos principais pontos de um diploma do Ministério da Segurança Social, Família e Criança. Mas há mais: o mesmo diploma autoriza os avós com netos adolescentes em casa a faltaram 30 dias consecutivos após o nascimento da criança, sem perderem ordenado. Não sei se trinta dias adiantam grande coisa, mas também é verdade que já é um começo. É pena é que seja preciso haver eleições para este Governo começar a tomar medidas de jeito!





segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Sophia... O nome que diz tudo.

Já que estamos em troca de galhardetes, deixo-te o meu preferido da minha preferida.

Não encaro a Liberdade como Pessoa, não me identifico em nada. É-me simples optar pelo não-fazer quando assim o entendo (e não pela má-fé de Sartre), mas o importante é saber quando escolher não-fazer e mais importante ainda, creio, é escolher fazer. E uma escolha envolve sempre uma vontade autónoma, que é o que é preciso.

A Liberdade, a mim, ensina-me: "A fazer, sem ser comandado, aquilo que os outros fazem apenas por medo da lei." Aristóteles.


"HOMENAGEM A RICARDO REIS"
(Fernando Pessoa)

Não creias, Lídia que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo circulo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde
O tempo apaga tudo menos esse
Longo e indelével rasto
Que o não vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes
Jamais se detém kronos cujo passo
Vai sempre mais á frente
Do que o teu próprio passo.

Sophia de Mello Breyner Andresen