terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

Sobre o Luto Nacional - Irmã Lúcia

"(...)Por seu lado, Luís Fazenda recorda que "não se tratou de nenhum candidato nem de nenhuma figura de Estado", acrescentando que a decisão foi "partilhada" pelo Governo demissionário e pelo Presidente da República; finalmente, Helena Pinto abordou a laicidade do Estado português, apontando que "do ponto de vista do Estado não faz qualquer sentido fazer luto nacional", até porque, frisou, este deve ser somente realizado quando morre "uma pessoa com um papel e um protagonismo no âmbito do Estado(...)".
A ler no Público.
Mas esta gente tem mesmo que criticar tudo? Não sabem fazer mais nada à vidinha?
É que sejamos Católicos ou não, há que ter respeitinho e reconhecer o trabalho que a dita Senhora fez. Parece-me uma barbaridade olhar para o trabalho duma vida em prol do bem desta forma estupidamente cruel, se deveria ter sido ou não decretado luto nacional...? Oh pois paciência meus senhores. Pois paciência.

Campanhas de rua

Há muito boa gente que não gosta de fazer campanhas de rua.
Não os posso criticar, também não me revejo minimamente na coisa. Não temos todos que gostar, mas infelizmente é necessário que alguém o faça porque desde que se teimou que não há ideologias, sempre há o contacto directo com o candidato (quando o há).
Seja como for, não acredito em misturas de ideologias, acredito é que haja gente mal colocada dentro dos partidos e que ainda não sabe disso.
Se o povo fosse instruído e lesse as propostas dos partidos, ouvisse debates, participasse de alguma forma na vida política, tirasse as suas dúvidas e exercesse os seus deveres reclamando os seus direitos, não haveria necessidade dos partidos irem para a rua oferecer esferográficas e t-shirts. E ainda se poupavam uns trocos valentes nos brindes que poderiam ser canalizados para outra coisa mais útil.
Vendo bem, isso de receber um porta-chaves não traz votos, quando muito, talvez a t-shirt dê jeito para quando o Manel for às vacas. É definitivamente dinheiro mal gasto, até porque o Manel deve ter uma gaveta cheia delas e às cores.
O contacto directo com os eleitores também é uma coisa engraçada que a psicologia decerto há-de explicar. Lá passa o candidato a imagem de preocupação pela comunidade, de simpatia, de boa pessoa, de competência ou seja lá qual a máscara que escolheu para o dia, e vai para casa contente que até lhe deram umas palmadinhas nas costas. È uma lúcida ilusão porque eles bem sabem que quem lhes deu a palmadinha nas costas também as dará ao outro que venha atrás com mais porta-chaves.
Mesmo que a intenção seja das melhores, e não digo que não seja, porque ainda vejo que temos boa gente por aí nas ruas, convinha era que os candidatos se preocupassem mais em informar o povo das medidas que pretendem trazer em vez dos sorrisos de orelha e dos beijinhos às velhinhas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

As Miauu Girls

A título de boas vindas, temos mais um blog no mercado da boa disposição. Para os bravos e bravas mais distraídos que não repararam no link, é o Miauu Girls. Pertence à Maria Graça da Silveira, à Cândida Neves, à Maria Pia Imperatori e à Solange Sieuve de Menezes.
A elas, votos de sucesso para o Blog.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Individualismo

Artigo de opinião de Eduardo Prado Coelho, O Terceiro Pai, no Público, a ler.

Gilles Lipovetsky, n'O Crepúsculo do Dever, já alerta para este neo-individualismo contemporâneo, diz-nos que este não é necessariamente mau (ainda bem!), é apenas uma consequência da época, da concorrência, da globalização. No entanto, este neo-individualismo de Lipovetsky, pretende-se responsável - não tem rigorosamente nada a ver com o individualismo que Eduardo Prado Coelho nos fala.
Ser individualista pode até ser bom, além de se exigir mais de nós próprios, cai-se num perfeccionismo, quase numa auto-concorrência (boa para quem gosta de se superar, má para quem não gosta de se cansar...), mas sempre tendo uma sócio-consciência, e esta é que não convém descurar.
O individualista é aquele que não gosta de depender dos outros, não faz nada a pares, não anda em rebanho, nem que diz que sim quando acha que deve dizer não. E isto bem feito não fomenta o egoísmo, são coisas bem diferentes. O egoísmo dá-se por interesses sempre pessoais, o individualismo pode até ser para proteger alguém, na medida em que se o indivíduo tem o seu ritmo próprio, prefere não atrasar ou pressionar outro, então fá-lo sozinho e até talvez melhor.
O individualismo de que Eduardo Prado Coelho nos fala, é um individualismo plástico, de imagem - acaba por não ser nada, é perene, efémero. É um pseudo-individualismo porque é fruto de acasos, de peripécias, de manipulações.
Não se pode Ser algo tão frágil como a ideia criada pela imagem do que os outros pensam de nós, e é talvez por isso que esta sociedade, pelas palavras de EPC, seja uma sociedade depressiva, porque basta "outra publicidade" para que essa imagem seja mudada. Shakespeare diz que a água corre tranquila quando o rio é fundo, e com razão. Se as pessoas entendessem que se devem construir a si mesmas, criarem alicerces à sua estrutura em vez de serem meros reflexos, íamos todos muito melhor neste barco.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

"Quem quer ser Primeiro-ministro?"

Por mais que queira, não posso fugir ao tema do dia, que varia entre quem ganhou o debate de ontem na RTP 2 e quem o perdeu na SIC Notícias. Entre Santana e Sócrates, venha o diabo e escolha, digo eu. Mas o que interessa é que aquilo que o país assistiu em directo no canal mais visto em Portugal não foi um debate. A ver pelas luzes, pelas perguntas deixadas por responder, pela contabilidade do tempo e pelas respostas dos participantes, foi apenas a nova versão do "Quem quer ser Primeiro-ministro?". Só que o júri, formalmente instalado em quatro cadeiras sem molas, esqueceu-se de avisar os concorrentes de dois pormenores importantes: que o vencedor só seria conhecido no dia 20 de Fevereiro e que o dinheiro investido em sondagens não seria devolvido. Quanto ao prémio, esse, duvido que algum português no seu perfeito juízo o quisesse levar para casa. É que um país como o nosso não é fácil de esconder dos olhares invejosos dos vizinhos...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Boa notícia para as grávidas

Ao folhear o jornal A Capital, deparei com uma boa notícia para as bravas e bravos deste país, que não têm medo de se multiplicar. A licença de maternidade foi prolongada mais um mês, passando para cinco em vez de quatro. Só que a "boa notícia" não é perfeita. A licença é prolongada, mas o subsídio do quinto mês só é pago em 80%. Não se pode ter tudo, não é?

A medida, que já foi aprovada em Conselho de Ministros, é um dos principais pontos de um diploma do Ministério da Segurança Social, Família e Criança. Mas há mais: o mesmo diploma autoriza os avós com netos adolescentes em casa a faltaram 30 dias consecutivos após o nascimento da criança, sem perderem ordenado. Não sei se trinta dias adiantam grande coisa, mas também é verdade que já é um começo. É pena é que seja preciso haver eleições para este Governo começar a tomar medidas de jeito!





segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Sophia... O nome que diz tudo.

Já que estamos em troca de galhardetes, deixo-te o meu preferido da minha preferida.

Não encaro a Liberdade como Pessoa, não me identifico em nada. É-me simples optar pelo não-fazer quando assim o entendo (e não pela má-fé de Sartre), mas o importante é saber quando escolher não-fazer e mais importante ainda, creio, é escolher fazer. E uma escolha envolve sempre uma vontade autónoma, que é o que é preciso.

A Liberdade, a mim, ensina-me: "A fazer, sem ser comandado, aquilo que os outros fazem apenas por medo da lei." Aristóteles.


"HOMENAGEM A RICARDO REIS"
(Fernando Pessoa)

Não creias, Lídia que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo circulo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde
O tempo apaga tudo menos esse
Longo e indelével rasto
Que o não vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes
Jamais se detém kronos cujo passo
Vai sempre mais á frente
Do que o teu próprio passo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Liberdade

A vida não são obrigações cognitivas e demais convulsões. Há mais para além de trabalho e opinião. Há o nada fazer que tem muito que se lhe diga. É preciso saber nada fazer. Liberdade por Fernando Pessoa:


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


sábado, 29 de janeiro de 2005

M.A.D.A.

Há estórias mesmo muito estranhas.
Após o Mestre Ginquina, o Mestre Xupáguita, o Mestre Abdula, o Mestre Surubu, o Mestre Dacápilim, o Mestre Andacaséstolo, o Mestre Vodumaster entre outros, não é que surge a M.A.D.A.? Mulheres (que) Amam Demais Anónimas. É verdade, existe e já corre os jornais diários micaelenses. Fantástico não é? É a iniciativa que faltava para todas as mulheres que amam demais e que querem manter o anonimato.
O Gado Bravo teve acesso ao que se passou na primeira sessão, através duma mulher que descobriu que não ama demais, e foi portanto, expulsa desta associação amorosa. Conta-nos a fonte que foi tudo uma grande confusão: "Pensei que tinha ido à U.M.A.R., mas não! Um erro de pesquisa na internet levou-me à peripécia de em vez de UMAR digitar mal e foi para AMAR. Quando lá cheguei qual o meu espanto em constatar que também elas tinham olhos negros mas estavam felizes da vida - trocavam receitas, e faziam testes de sabão da roupa com olhos vendados, além disso ainda combinavam o próximo passeio do ano, que calhava desta vez - um pouco mais longe - a S. Roque." Diz-nos ela ainda em tom de desabafo: "Sei que devo ser uma cabra frígida, mas fartei-me de levar com a frigideira nos olhos, via o meu futuro negro!"
O Gado Bravo valoriza a emancipação desta mulher mas condena a sua expulsão da MADA, porque apesar de ainda não percebermos o que mais se poderá fazer na Associação, é importante contudo, saber qual o melhor produto de limpeza do mercado, e é só com muito amor nos corações que se pode aguentar as provas de sujidade, é preciso amar demais para deixar que alguém nos esfregue um hamburguer na roupa, tal como vemos no bom exemplo das publicidades.
Por fim, o Gado Bravo, entrando na emancipação, deve informar os seus leitores que está a pensar criar também uma associação, a PPK - Pessoas (com) Paciência (aos) Kilos. Aguardamos inscrições.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

Para que a memória não se apague

Aproveitando que se fala de aborto e, portanto, do valor da vida, ocorreu-me que seria uma boa altura para falar aqui deixar mais um pequeno contributo. Para os mais atentos, decerto não terá passado despercebido que ontem se comemoraram 60 anos sobre a libertação dos prisioneiros do campo de extermínio nazi de Auschwitz.-Birkenau, na Polónia. Tal como não terá passado despercebido um fait-diver que ocupou as páginas de várias jornais, que dava conta da fantasia escolhida pelo príncipe de Inglaterra para levar a um baile de máscaras. Juntado as duas coisas, ocorreu-me que há muito mais coisas a fazer pelas novas gerações do que discutir temas indiscutíveis. E que mais uma vez o que é preciso é formar as consciências.

Tenho a certeza que ontem, ao atravessar as portas dos portões daquele campo de concentração, as dezenas de chefes de Estado do mundo inteiro dificilmente conseguiram imaginar o que sentiram as cerca de 1,2 milhões de pessoas que ali foram exterminadas entre 1941 e 1945. Mas nem por isso a cerimónia em que participaram para assinalar o dia em que aqueles mesmos portões se abriram para a liberdade teve menor importância.
A imprensa de todo o mundo (ou quase) deu algum destaque à cerimónia. Mas o mundo é que devia ter parado para olhar com olhos de ver para o local que roubou a vida a milhares de judeus, incluindo os que lhe sobreviveram.

Quando, ontem, voltaram a atravessar os portões do maior campo de extermínio dos nazis para acompanhar a cerimónia de homenagem, esses ex-prisioneiros enfrentaram o maior dos inimigos: a sua própria memória. Se conseguiram, ou não, controlar as explosões dessa memória, que decerto desfiou mais imagens e provocou mais sentimentos do que aqueles que a alma humana consegue digerir, isso é secundário. O que importa é que enfrentaram a memória e estiveram lá, para se certificarem que o mundo não esquece o que aconteceu ali.

Cabe-nos a todos nós velar para que o seu sacrifício não seja em vão. Cabe-nos a nós ajudar a educar o futuro. Para que nenhuma criança deseje, um dia, fantasiar-se com uma farda nazi, com a mesma inocência com que se fantasiaria com a farda de um príncipe. Para que a memória não se apague e com ela a consciência que temos do nosso mundo.

Que nenhuma brava se esqueça disso!