A vida não são obrigações cognitivas e demais convulsões. Há mais para além de trabalho e opinião. Há o nada fazer que tem muito que se lhe diga. É preciso saber nada fazer. Liberdade por Fernando Pessoa:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2005
sábado, 29 de janeiro de 2005
M.A.D.A.
Há estórias mesmo muito estranhas.
Após o Mestre Ginquina, o Mestre Xupáguita, o Mestre Abdula, o Mestre Surubu, o Mestre Dacápilim, o Mestre Andacaséstolo, o Mestre Vodumaster entre outros, não é que surge a M.A.D.A.? Mulheres (que) Amam Demais Anónimas. É verdade, existe e já corre os jornais diários micaelenses. Fantástico não é? É a iniciativa que faltava para todas as mulheres que amam demais e que querem manter o anonimato.
O Gado Bravo teve acesso ao que se passou na primeira sessão, através duma mulher que descobriu que não ama demais, e foi portanto, expulsa desta associação amorosa. Conta-nos a fonte que foi tudo uma grande confusão: "Pensei que tinha ido à U.M.A.R., mas não! Um erro de pesquisa na internet levou-me à peripécia de em vez de UMAR digitar mal e foi para AMAR. Quando lá cheguei qual o meu espanto em constatar que também elas tinham olhos negros mas estavam felizes da vida - trocavam receitas, e faziam testes de sabão da roupa com olhos vendados, além disso ainda combinavam o próximo passeio do ano, que calhava desta vez - um pouco mais longe - a S. Roque." Diz-nos ela ainda em tom de desabafo: "Sei que devo ser uma cabra frígida, mas fartei-me de levar com a frigideira nos olhos, via o meu futuro negro!"
O Gado Bravo valoriza a emancipação desta mulher mas condena a sua expulsão da MADA, porque apesar de ainda não percebermos o que mais se poderá fazer na Associação, é importante contudo, saber qual o melhor produto de limpeza do mercado, e é só com muito amor nos corações que se pode aguentar as provas de sujidade, é preciso amar demais para deixar que alguém nos esfregue um hamburguer na roupa, tal como vemos no bom exemplo das publicidades.
Por fim, o Gado Bravo, entrando na emancipação, deve informar os seus leitores que está a pensar criar também uma associação, a PPK - Pessoas (com) Paciência (aos) Kilos. Aguardamos inscrições.
Após o Mestre Ginquina, o Mestre Xupáguita, o Mestre Abdula, o Mestre Surubu, o Mestre Dacápilim, o Mestre Andacaséstolo, o Mestre Vodumaster entre outros, não é que surge a M.A.D.A.? Mulheres (que) Amam Demais Anónimas. É verdade, existe e já corre os jornais diários micaelenses. Fantástico não é? É a iniciativa que faltava para todas as mulheres que amam demais e que querem manter o anonimato.
O Gado Bravo teve acesso ao que se passou na primeira sessão, através duma mulher que descobriu que não ama demais, e foi portanto, expulsa desta associação amorosa. Conta-nos a fonte que foi tudo uma grande confusão: "Pensei que tinha ido à U.M.A.R., mas não! Um erro de pesquisa na internet levou-me à peripécia de em vez de UMAR digitar mal e foi para AMAR. Quando lá cheguei qual o meu espanto em constatar que também elas tinham olhos negros mas estavam felizes da vida - trocavam receitas, e faziam testes de sabão da roupa com olhos vendados, além disso ainda combinavam o próximo passeio do ano, que calhava desta vez - um pouco mais longe - a S. Roque." Diz-nos ela ainda em tom de desabafo: "Sei que devo ser uma cabra frígida, mas fartei-me de levar com a frigideira nos olhos, via o meu futuro negro!"
O Gado Bravo valoriza a emancipação desta mulher mas condena a sua expulsão da MADA, porque apesar de ainda não percebermos o que mais se poderá fazer na Associação, é importante contudo, saber qual o melhor produto de limpeza do mercado, e é só com muito amor nos corações que se pode aguentar as provas de sujidade, é preciso amar demais para deixar que alguém nos esfregue um hamburguer na roupa, tal como vemos no bom exemplo das publicidades.
Por fim, o Gado Bravo, entrando na emancipação, deve informar os seus leitores que está a pensar criar também uma associação, a PPK - Pessoas (com) Paciência (aos) Kilos. Aguardamos inscrições.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Para que a memória não se apague
Aproveitando que se fala de aborto e, portanto, do valor da vida, ocorreu-me que seria uma boa altura para falar aqui deixar mais um pequeno contributo. Para os mais atentos, decerto não terá passado despercebido que ontem se comemoraram 60 anos sobre a libertação dos prisioneiros do campo de extermínio nazi de Auschwitz.-Birkenau, na Polónia. Tal como não terá passado despercebido um fait-diver que ocupou as páginas de várias jornais, que dava conta da fantasia escolhida pelo príncipe de Inglaterra para levar a um baile de máscaras. Juntado as duas coisas, ocorreu-me que há muito mais coisas a fazer pelas novas gerações do que discutir temas indiscutíveis. E que mais uma vez o que é preciso é formar as consciências.
Tenho a certeza que ontem, ao atravessar as portas dos portões daquele campo de concentração, as dezenas de chefes de Estado do mundo inteiro dificilmente conseguiram imaginar o que sentiram as cerca de 1,2 milhões de pessoas que ali foram exterminadas entre 1941 e 1945. Mas nem por isso a cerimónia em que participaram para assinalar o dia em que aqueles mesmos portões se abriram para a liberdade teve menor importância.
A imprensa de todo o mundo (ou quase) deu algum destaque à cerimónia. Mas o mundo é que devia ter parado para olhar com olhos de ver para o local que roubou a vida a milhares de judeus, incluindo os que lhe sobreviveram.
Quando, ontem, voltaram a atravessar os portões do maior campo de extermínio dos nazis para acompanhar a cerimónia de homenagem, esses ex-prisioneiros enfrentaram o maior dos inimigos: a sua própria memória. Se conseguiram, ou não, controlar as explosões dessa memória, que decerto desfiou mais imagens e provocou mais sentimentos do que aqueles que a alma humana consegue digerir, isso é secundário. O que importa é que enfrentaram a memória e estiveram lá, para se certificarem que o mundo não esquece o que aconteceu ali.
Cabe-nos a todos nós velar para que o seu sacrifício não seja em vão. Cabe-nos a nós ajudar a educar o futuro. Para que nenhuma criança deseje, um dia, fantasiar-se com uma farda nazi, com a mesma inocência com que se fantasiaria com a farda de um príncipe. Para que a memória não se apague e com ela a consciência que temos do nosso mundo.
Que nenhuma brava se esqueça disso!
Tenho a certeza que ontem, ao atravessar as portas dos portões daquele campo de concentração, as dezenas de chefes de Estado do mundo inteiro dificilmente conseguiram imaginar o que sentiram as cerca de 1,2 milhões de pessoas que ali foram exterminadas entre 1941 e 1945. Mas nem por isso a cerimónia em que participaram para assinalar o dia em que aqueles mesmos portões se abriram para a liberdade teve menor importância.
A imprensa de todo o mundo (ou quase) deu algum destaque à cerimónia. Mas o mundo é que devia ter parado para olhar com olhos de ver para o local que roubou a vida a milhares de judeus, incluindo os que lhe sobreviveram.
Quando, ontem, voltaram a atravessar os portões do maior campo de extermínio dos nazis para acompanhar a cerimónia de homenagem, esses ex-prisioneiros enfrentaram o maior dos inimigos: a sua própria memória. Se conseguiram, ou não, controlar as explosões dessa memória, que decerto desfiou mais imagens e provocou mais sentimentos do que aqueles que a alma humana consegue digerir, isso é secundário. O que importa é que enfrentaram a memória e estiveram lá, para se certificarem que o mundo não esquece o que aconteceu ali.
Cabe-nos a todos nós velar para que o seu sacrifício não seja em vão. Cabe-nos a nós ajudar a educar o futuro. Para que nenhuma criança deseje, um dia, fantasiar-se com uma farda nazi, com a mesma inocência com que se fantasiaria com a farda de um príncipe. Para que a memória não se apague e com ela a consciência que temos do nosso mundo.
Que nenhuma brava se esqueça disso!
Debate bravio
Se desculpas se aceitassem para tão prolongada ausência, as minhas seriam de força maior. Mas como não se aceitam, resta-me teclar qualquer coisa que faça sentido. Na verdade, acho que um longo post não compensaria meses de ausência, ainda mais quando a vontade de dizer disparates é maior do que a vontade de escrever coisas com sentido.
Já reparei que quem tem andado cheia de vontade é a Bravíssima mor, que parece ser a única cheia de genica no meio desta manada tresmalhada. É bom ver que há alguém sempre atento, que não desiste de tentar reunir as bravas mais distraídas/ocupadas/perdidas.
Quanto a esta pequena brava, folga em ver que o debate voltou às páginas do Gado Bravo. Mesmo que seja para falar de aborto... Confesso, que eu própria me sinto um aborto cada vez que tento discutir o assunto. As opiniões são tantas, tão diferentes e tão pouco abertas a pequenas alterações de pensamento, que não sei se discutir é a melhor forma de abordar o assunto.
No que toca à IVG, acho que não importa a posição de cada um, que é sempre mais radical do que o outro lado quereria. O que importa aqui é formar consciências, para que cada um possa decidir pela sua própria cabeça. E quando digo formar, falo de explicar às novas gerações o valor da vida, da moral, dos costumes. Falo de explicar bem o que é um embrião, um óvulo ou um espermatozóide, mas também o que é a sobrevivência e as condições soció-económicas. Falo sobretudo de ensinar e não de opiniar, ou tão pouco julgar.
Quer queiramos, quer não, neste caso, a lei é só um pormenor. Que pode mudar, ou não, consoante a vontade política do futuro pseudo-Governo que nos governe, venha ele de que ala vier. Mas que quer mude, ou não, poucos efeitos terá na mentalidade das nossas gentes, se não nos preocuparmos em formar consciências.
Seja ilegal ou não, a IVG existe, e em números mais assustadores do que gostaríamos de admitir. Duvido que algum de nós não conheça alguém que já fez um. Se foi legal, ou não, se foi sem moral ou não, essa é outra discussão. Uma discussão que nunca acabará com a mudança de uma simples lei. Uma discussão que só acabará se a moral desaparecer. E isso não me parece que matéria legislável.
Abraços para as bravas do meu coração e um cumprimento especial para o bravo que mais contributos tem dado a esta manada selvagem, e que ainda não tive a honra de conhecer.
Cumprimentos bravios!
Já reparei que quem tem andado cheia de vontade é a Bravíssima mor, que parece ser a única cheia de genica no meio desta manada tresmalhada. É bom ver que há alguém sempre atento, que não desiste de tentar reunir as bravas mais distraídas/ocupadas/perdidas.
Quanto a esta pequena brava, folga em ver que o debate voltou às páginas do Gado Bravo. Mesmo que seja para falar de aborto... Confesso, que eu própria me sinto um aborto cada vez que tento discutir o assunto. As opiniões são tantas, tão diferentes e tão pouco abertas a pequenas alterações de pensamento, que não sei se discutir é a melhor forma de abordar o assunto.
No que toca à IVG, acho que não importa a posição de cada um, que é sempre mais radical do que o outro lado quereria. O que importa aqui é formar consciências, para que cada um possa decidir pela sua própria cabeça. E quando digo formar, falo de explicar às novas gerações o valor da vida, da moral, dos costumes. Falo de explicar bem o que é um embrião, um óvulo ou um espermatozóide, mas também o que é a sobrevivência e as condições soció-económicas. Falo sobretudo de ensinar e não de opiniar, ou tão pouco julgar.
Quer queiramos, quer não, neste caso, a lei é só um pormenor. Que pode mudar, ou não, consoante a vontade política do futuro pseudo-Governo que nos governe, venha ele de que ala vier. Mas que quer mude, ou não, poucos efeitos terá na mentalidade das nossas gentes, se não nos preocuparmos em formar consciências.
Seja ilegal ou não, a IVG existe, e em números mais assustadores do que gostaríamos de admitir. Duvido que algum de nós não conheça alguém que já fez um. Se foi legal, ou não, se foi sem moral ou não, essa é outra discussão. Uma discussão que nunca acabará com a mudança de uma simples lei. Uma discussão que só acabará se a moral desaparecer. E isso não me parece que matéria legislável.
Abraços para as bravas do meu coração e um cumprimento especial para o bravo que mais contributos tem dado a esta manada selvagem, e que ainda não tive a honra de conhecer.
Cumprimentos bravios!
Duas questões sobre este assunto
É que, sinceramente, gostava de saber a V. opinião. Por favor, sejam objectivas: 1) Qual o objectivo da actual lei da IVG? 2) A actual lei da IVG permite o aborto em 3 situações excepcionais.´Se o objectivo, dizem os defensores, é preservar a vida, porque é que concordam com a actual lei que dá "valor à vida, com três excepções". O feto gerado por um violador não tem "direito à vida" tal como os outros fetos? Acham correcto atribuir excepções ao "direito à vida"?
Um só comentário não dava II
Ninguém aprova o acto de abortar, nem ninguém o faz de ânimo leve. Mas apoiar uma lei que é clara ao considerar esse acto um crime...dá que pensar! Quem dera a todos que as razões que levam as mulheres a essa solução fossem resolvidas e desaparecessem. Mas de hipocrisias estamos cheios nesta sociedade. Lembro-me do referendo. Quem apoiou a manutenção da actual lei encheu a boca de medidas para combater as causas: educação sexual nas escolas, planeamento familiar, mais e melhor informação etc., mas a verdade é que sempre foram governar o país e sete anos depois estamos na mesma nesta matéria.
Aborto
Não, só um comentário não dava.
JP, não é objectivo de ninguém dar cadastros ao desbarato a quem aborte. Nunca se tratou disso. O maior problema é a falta de formação que temos em Portugal e bem à frente dos nossos olhos, nos Açores. Os pobrezinhos são os de espírito, e são também os que vão a Londres às comprinhas, para que não hajam confusões.
Não podemos ficar impávidos e serenos quando nos aparecem mulheres na TV a dizer "Ah sabe, era o meu 6º filho mas não tinha condições e então fui aqui ao lado, à abortadeira" ou "se o meu pai descobrisse expulsava-me de casa"! Isto acontece todos os dias, não estou a falar de outra coisa que não esta.
O valor duma vida humana actualmente é quase comparado ao de uma caixinha de comida congelada que se tirou do congelador e como não apeteceu comer, deita-se fora, porque não dá para voltar a congelar! Não pode ser. Temos que dar importância ao que tem importância.
Não se trata de impôr moralismos, mas se também eu tivesse um barquinho cheio de mulheres que pensassem como eu e andássemos nós a defender os direitos humanos, e desta vez, daqueles que ainda não tem voz (em vez de olharmos para o nosso umbigo), se calhar também haveria uma fragata de roda e outras tantas pessoas em terra a condená-la, ou não? Ou a minha opinião não é legitimamente partilhada por muitos?
"Ainda retrógado e conservador, catecista e moralista." Teríamos que definir estes conceitos para falar do mesmo amigo JP.
A ciência supera-nos todos os dias e temos que estar constantemente informados. Para saber mais um pouco: aqui , aqui e aqui entre outros.
JP, não é objectivo de ninguém dar cadastros ao desbarato a quem aborte. Nunca se tratou disso. O maior problema é a falta de formação que temos em Portugal e bem à frente dos nossos olhos, nos Açores. Os pobrezinhos são os de espírito, e são também os que vão a Londres às comprinhas, para que não hajam confusões.
Não podemos ficar impávidos e serenos quando nos aparecem mulheres na TV a dizer "Ah sabe, era o meu 6º filho mas não tinha condições e então fui aqui ao lado, à abortadeira" ou "se o meu pai descobrisse expulsava-me de casa"! Isto acontece todos os dias, não estou a falar de outra coisa que não esta.
O valor duma vida humana actualmente é quase comparado ao de uma caixinha de comida congelada que se tirou do congelador e como não apeteceu comer, deita-se fora, porque não dá para voltar a congelar! Não pode ser. Temos que dar importância ao que tem importância.
Não se trata de impôr moralismos, mas se também eu tivesse um barquinho cheio de mulheres que pensassem como eu e andássemos nós a defender os direitos humanos, e desta vez, daqueles que ainda não tem voz (em vez de olharmos para o nosso umbigo), se calhar também haveria uma fragata de roda e outras tantas pessoas em terra a condená-la, ou não? Ou a minha opinião não é legitimamente partilhada por muitos?
"Ainda retrógado e conservador, catecista e moralista." Teríamos que definir estes conceitos para falar do mesmo amigo JP.
A ciência supera-nos todos os dias e temos que estar constantemente informados. Para saber mais um pouco: aqui , aqui e aqui entre outros.
Vá para a Prisão!
Talvez seja melhor cadastrar alguém que aborta. Talvez possa sobrepôr a minha moral às restantes pessoas. Talvez quem faz os abortos clandestinos em Portugal sejam os pobrezinhos e esses, já sabemos, não têm consciência e têm é que aprender à força, porque quem pode vai a Londres e aproveita e faz umas comprinhas. Talvez todos os países europeus estejam errados e nós, que mantemos esta lei, é que estamos certos. Ao menos temos uma corveta de guerra a guardar as águas territorias de um pequeno barco com pacifistas e lutadoras pelos direitos e dignidade das mulheres. Que orgulho!
De facto a lei actual está perfeitamente de acordo com Portugal. Ainda retrógado e conservador, catecista e moralista.
De facto a lei actual está perfeitamente de acordo com Portugal. Ainda retrógado e conservador, catecista e moralista.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2005
O Estado da Região...
...Fraco, muito fraco. Pouco conteúdo, pouca clareza, pouca convicção.
Antes disso dever-se-ia ter apostado num debate sobre o aborto primeiro. Só a título de exemplo... e com especialistas da área.
Entende-se que o objectivo seria reunir as opções dos partidos e passá-las desta forma aos telespectadores, mas a verdade é que acabámos na mesma. Sabemos quase o que já sabíamos. Não, a culpa não é do programa (até simpatizo com o Osvaldo Cabral), nem sempre há culpas a delegar a partes, há coisas que correm mal apenas, falta de encaixe... quem sabe.
Talvez tenha falhado um pouco quanto à performance dos convidados em relação ao tratamento de temas, não à sua competência pessoal, isso não está aqui em causa (por enquanto).
Quem quer defender ou condenar deve ir bem preparado para fundamentar, nem todos o foram, uns pareciam debutantes nervosos, outros cobriram-se pela retórica, um ou outro safou-se melhor.
E por exemplo, num caso que me incomoda em particular, o aborto, as coisas não podem nem devem, ser discutidas duma maneira tão superficial. Estamos a tratar de vidas humanas. Será que algum sabe o que quer dizer zigoto? Sem querer ser ofensiva, até porque também tive que perguntar para saber, o aborto não se discute em meia hora.
É que não me parece que tenham consciência que aqui nas casas dos anónimos, um senhor que fale bem, mesmo que não diga nada, entra logo para o rol dos que parecem que sabem, e pronto...! Tá o caldo entornado. Vai tudo votar no senhor que fala... fala... E decidem-se assim coisas importantes.
Gostei duma atitude. Quem não quer falar sobre o assunto (seja porque motivo for) di-lo, e não cai em seguidismos.
Pessoalmente sou contra a alteração da lei em vigor. E não me venham com as conversas das pobres que sofrem muito quando fazem abortos clandestinos, que sofrem mazelas físicas que as acompanham para o resto da vida. A maior mazela para uma mulher que aborta é psicológica, essa sim, ela terá que carregar para o resto da sua vida e se não a carrega é porque não tem consciência. Há bastante informação, prevenção. As pílulas são dadas nos centros de saúde... etc etc. Não há justificação séria que cole.
Seria a favor de qualquer despenalização, das drogas leves ou do aborto, se e só se, houvesse informação correta sobre o assunto, esclarecimento, e se atingíssemos níveis de civismo médios pelo menos. Estou convencida que a estatística baixava.
Mas vai-se varrendo para debaixo do tapete em vez de se ir ás causas, é como a droga. Mas isso ainda é outro assunto que fica para outra vez.
Antes disso dever-se-ia ter apostado num debate sobre o aborto primeiro. Só a título de exemplo... e com especialistas da área.
Entende-se que o objectivo seria reunir as opções dos partidos e passá-las desta forma aos telespectadores, mas a verdade é que acabámos na mesma. Sabemos quase o que já sabíamos. Não, a culpa não é do programa (até simpatizo com o Osvaldo Cabral), nem sempre há culpas a delegar a partes, há coisas que correm mal apenas, falta de encaixe... quem sabe.
Talvez tenha falhado um pouco quanto à performance dos convidados em relação ao tratamento de temas, não à sua competência pessoal, isso não está aqui em causa (por enquanto).
Quem quer defender ou condenar deve ir bem preparado para fundamentar, nem todos o foram, uns pareciam debutantes nervosos, outros cobriram-se pela retórica, um ou outro safou-se melhor.
E por exemplo, num caso que me incomoda em particular, o aborto, as coisas não podem nem devem, ser discutidas duma maneira tão superficial. Estamos a tratar de vidas humanas. Será que algum sabe o que quer dizer zigoto? Sem querer ser ofensiva, até porque também tive que perguntar para saber, o aborto não se discute em meia hora.
É que não me parece que tenham consciência que aqui nas casas dos anónimos, um senhor que fale bem, mesmo que não diga nada, entra logo para o rol dos que parecem que sabem, e pronto...! Tá o caldo entornado. Vai tudo votar no senhor que fala... fala... E decidem-se assim coisas importantes.
Gostei duma atitude. Quem não quer falar sobre o assunto (seja porque motivo for) di-lo, e não cai em seguidismos.
Pessoalmente sou contra a alteração da lei em vigor. E não me venham com as conversas das pobres que sofrem muito quando fazem abortos clandestinos, que sofrem mazelas físicas que as acompanham para o resto da vida. A maior mazela para uma mulher que aborta é psicológica, essa sim, ela terá que carregar para o resto da sua vida e se não a carrega é porque não tem consciência. Há bastante informação, prevenção. As pílulas são dadas nos centros de saúde... etc etc. Não há justificação séria que cole.
Seria a favor de qualquer despenalização, das drogas leves ou do aborto, se e só se, houvesse informação correta sobre o assunto, esclarecimento, e se atingíssemos níveis de civismo médios pelo menos. Estou convencida que a estatística baixava.
Mas vai-se varrendo para debaixo do tapete em vez de se ir ás causas, é como a droga. Mas isso ainda é outro assunto que fica para outra vez.
terça-feira, 25 de janeiro de 2005
Congresso da Cidadania
Hoje foi a sessão solene de abertura do Congresso de Cidadania dos Açores.
Até Maio, vão andar pelas ilhas vários intelectualóides a pregar aos ares as suas altivas palavras.
Digo isto, não que não ache bem. Acho sim muito bem que o Laborinho Lúcio tenha resolvido levantar o rabo da secretária e que faça alguma coisa útil, que é para isso que lhe pagamos. E convenhamos que é bem preciso falar-se mais em cidadania. A maior parte dos Açorianos pensa que cidadania é tudo menos o poder de usufruirem dos seus direitos, entre outras coisas.
A minha picadela vai apenas para a linguagem hermética dos senhores que tem a seu cargo a nobre tarefa de elucidar o povo.
Tenho uma professora, entre outras (mas esta mais que as outras e ainda bem, porque foi com ela que aprendi quase tudo), que me está sempre a corrigir o tom coloquial. Bom, concordo com ela, cada ciência tem a sua própria linguagem e deve-se ter um nível de exigência quando, entre nós, estamos a tratar de algum assunto.
Mas se quero falar de filosofia com alguém que não seja académico, tenho que desdobrar o português para me entenderem, senão corro o risco de cair no monólogo e os outros no sono.
È um facto. Bem o sei.
De qualquer forma, crendo que esta seja uma boa iniciativa - a do Congresso da Cidadania, não posso deixar de contar, que antes de chegar lá à abertura, vi os primeiros discursos na RTPA na companhia da minha colega de casa. Se ela entendeu alguma coisa? Gostava de vos dizer que sim.
Entremeio de tanta conversa floreada, porque a ocasião assim o exigiu (estava lá o PR e tal...), percebeu-se apenas o corrente, o ordinário, porque basta um "palavrão" pelo meio e perdemos significação e consequentemente, sequência. Esperemos que estes senhores não se esqueçam que o objectivo é o de, precisamente, esclarecer o povo. Os outros de fatinho já sabem qualquer coisinha, não é apenas, mas é também para eles.
Se queremos que o povo aprenda mais, temos que ter um discurso ao seu nível, depois sim, que venha o enriquecimento da língua, não há nada mais bonito que o Português bem falado. Da mesma forma que escolhemos roupa para ocasiões, temos que escolher palavras também para elas.
Até Maio, vão andar pelas ilhas vários intelectualóides a pregar aos ares as suas altivas palavras.
Digo isto, não que não ache bem. Acho sim muito bem que o Laborinho Lúcio tenha resolvido levantar o rabo da secretária e que faça alguma coisa útil, que é para isso que lhe pagamos. E convenhamos que é bem preciso falar-se mais em cidadania. A maior parte dos Açorianos pensa que cidadania é tudo menos o poder de usufruirem dos seus direitos, entre outras coisas.
A minha picadela vai apenas para a linguagem hermética dos senhores que tem a seu cargo a nobre tarefa de elucidar o povo.
Tenho uma professora, entre outras (mas esta mais que as outras e ainda bem, porque foi com ela que aprendi quase tudo), que me está sempre a corrigir o tom coloquial. Bom, concordo com ela, cada ciência tem a sua própria linguagem e deve-se ter um nível de exigência quando, entre nós, estamos a tratar de algum assunto.
Mas se quero falar de filosofia com alguém que não seja académico, tenho que desdobrar o português para me entenderem, senão corro o risco de cair no monólogo e os outros no sono.
È um facto. Bem o sei.
De qualquer forma, crendo que esta seja uma boa iniciativa - a do Congresso da Cidadania, não posso deixar de contar, que antes de chegar lá à abertura, vi os primeiros discursos na RTPA na companhia da minha colega de casa. Se ela entendeu alguma coisa? Gostava de vos dizer que sim.
Entremeio de tanta conversa floreada, porque a ocasião assim o exigiu (estava lá o PR e tal...), percebeu-se apenas o corrente, o ordinário, porque basta um "palavrão" pelo meio e perdemos significação e consequentemente, sequência. Esperemos que estes senhores não se esqueçam que o objectivo é o de, precisamente, esclarecer o povo. Os outros de fatinho já sabem qualquer coisinha, não é apenas, mas é também para eles.
Se queremos que o povo aprenda mais, temos que ter um discurso ao seu nível, depois sim, que venha o enriquecimento da língua, não há nada mais bonito que o Português bem falado. Da mesma forma que escolhemos roupa para ocasiões, temos que escolher palavras também para elas.
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